O Glorioso São José (Padre Paulo Ricardo)

O Glorioso São José
Pe. Paulo Ricardo

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Transcrição do texto constante no site de origem. 


Aparentemente, não há muito o que se falar sobre São José, mas isso não é verdade. Há muito o que se falar desse homem que foi o Pai adotivo de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Patriarca da Sagrada Família, o Protetor da Igreja e que recebeu tantos outros títulos. Muitos papas já afirmaram que, depois da Virgem Maria, São José é o maior de todos os santos.
Outros grandes da Igreja também já testemunharam seu valor, como, por exemplo, Santa Teresa d´Ávila, em seu famoso Livro da Vida. No sexto capítulo, a santa diz que tem uma grande devoção por São José e que nenhum dos seus pedidos a ele jamais foi negado. Não somente isso, ela afirma que São José é o mestre da vida interior e que se alguém não sabe rezar ou não tem um diretor espiritual, deve a ele recorrer, pois ele ensinará. Ora, essa afirmação vinda da doutora mística possui um peso muito grande.
São José está presente desde o início da história do Cristianismo, é evidente. Porém, a devoção à sua figura vem sendo mais amplamente difundida nos últimos duzentos anos, pois inúmeros documentos, encíclicas, decretos e discursos foram emitidos pelos papas, que são, em grande medida, os maiores divulgadores da devoção ao Pai Adotivo de Jesus.
O bem-aventurado Pio IX, no ano de 1870, proclamou São José como Padroeiro da Igreja Universal, através do Decreto Quemadmodum Deus, em 8 de dezembro. Em seguida instaurou a festa litúrgica, o ofício e os privilégios litúrgicos de São José, através da Carta Apostólica Inclytum Patriarcham, de 7 de julho de 1871. Da leitura desses documentos, percebe-se claramente a motivação do Papa Pio IX em reconhecer São José como padroeiro da Igreja por ele ter sido o protetor de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Historicamente, quando o papado passou a ser atacado é que começou o movimento dos próprios papas de promover a devoção a São José. E é difícil não notar uma correlação providencial entre as duas coisas, pois foi exatamente quando o mundo quis acabar com a figura do pai espiritual que é o Papa, que eles começaram a propor São José como um pai espiritual. O ataque à Igreja e ao Corpo de Cristo e a escolha de José como protetor remete ao ataque contra Jesus e a Sagrada Família, quando também José foi escolhido por Deus como seu protetor.
Em seguida, o Papa Leão XIII escreveu a encíclica Quamquam Pluries, em 15 de agosto de 1889, propondo São José como modelo para as famílias cristãs, modelo de esposo e de pai.
O Papa Bento XV, logo após a Primeira Guerra Mundial, publicou o Motu Proprio Bonum Sane, em 25 de julho de 1920, exalando a devoção a São José e dando-a como solução espiritual para os problemas do pós-guerra.
Já o Papa Pio XI, que viveu a transição entre as duas guerras e o começo da segunda, na encíclica em que trata do comunismo, Divini Redemptoris, de 19 de março de 1937, propõe São José como modelo para os trabalhadores, para os operários.
Até então não havia a festa litúrgica de São José Operário e foi somente Pio XII que, em 1955, instituiu essa festa, que nasceu para impor uma barreira à onda do comunismo. É por isso que São José não pode ser tido - como querem os teólogos da "libertação" - como ícone do proletário, do trabalhador na luta de classes, pois sua festa nasceu justamente para combater a ideologia comunista.
O Papa João XXIII, em 1961, às portas do Concílio Vaticano II, declarou que São José seria o "Celeste Protetor" do concílio. João Paulo II fez a sua famosa Exortação Apostólica Redemptoris Custos, em 15 de agosto de 1989, que é uma obra-prima de espiritualidade sobre São José.
É claro que o Papa Bento XVI, sendo "José" ou "Joseph", de batismo, tem uma grande devoção a São José e foi ele que preparou a introdução do nome de São José nas três orações eucarísticas no Missal Romano posterior ao Concílio Vaticano II. Lembrando que o Papa João XXIII introduziu o nome de São José no Cânon Romano. Cinquenta anos depois, Bento XVI quis introduzir nas demais orações eucarísticas. Os documentos foram preparados, mas com a sua renúncia, não foi possível colocá-los em prática.
Assim, coube ao Papa Francisco, em maio de 2013, sancionar a introdução do nome de São José no Missal Romano. A devoção de Francisco a São José é tão grande que ele mandou levar de Buenos Aires para Roma uma imagem de São José dormindo. Pode parecer estranha essa imagem, pois é comum vê-lo em pé, com o Menino Jesus no colo ou em atividade, mas ela se explica, pois a Sagrada Escritura ensina que era por meio de sonhos que ele tomava conhecimento dos desígnios do Senhor.
Todos esses documentos significam que a Igreja reconhece a posição de São José. E alguns pontos devem ser mencionados. O primeiro deles é o relacionamento de São José com Maria, pois algumas pessoas, erradamente, tentando proteger a virgindade de Nossa Senhora, não gostam de falar de São José como Esposo da Virgem. Ora, esse é exatamente o título base de todos os outros: "Esposo". Realmente, Nossa Senhora era esposa de José.
A tendência de diminuir a relação esponsalícia de São José é bastante antiga, vide os evangelhos apócrifos que apresentam São José como sendo um senhor idoso, perto dos cem anos, alguém incapaz de ter relações sexuais. Com isso se pretende "provar" a virgindade de Maria.
No entanto, o Padre José Antonio Bertolin apresenta os argumentos que surgiram após o século XIV, no sentido de que, se São José era mesmo como os apócrifos o apresentam, de nada adiantou o milagre. Se assim fosse realmente, Jesus seria tão somente um filho adulterino, espúrio, um filho sem pai. Não é verdade, pois, que São José estivesse fora da idade de gerar filhos ou que tivesse cem anos de idade.
Os dados a respeito da sociedade na época de Jesus dão conta de que as pessoas se casavam muito cedo. Portanto, dentro do conhecimento histórico que se tem hoje, a Virgem Santíssima tinha entre 12 e 14 anos quando se casou. Tão logo a menina estava preparada biologicamente para ser mãe, já se casava.
Esses dados batem com a Tradição que dá conta de que a Virgem Maria teria engravidado em sua primeira ovulação. Jesus foi realmente o primogênito em tudo. Pode parecer estranho para a mentalidade atual imaginar tal situação, mas era a da época.
Os rapazes, por sua vez, casavam-se com 16, 18 anos de idade. Portanto, José era capaz de ter filhos e também possuía força física capaz de executar a missão que Deus lhe confiou: a de proteger a família que estava iniciando.
Deus dá as graças necessárias para que a missão dada seja executada com primor. Assim, como José recebeu a maior missão de todas: guardar o Redentor e a Sua Mãe, foi cumulado por Deus com as maiores graças espirituais. Ele é também chamado de o "Terror dos Demônios", pois, como esposo da Virgem Maria e pai adotivo de Nosso senhor Jesus, precisava guardar aquela família das insídias de Satanás.
Dizer que São José é esposo da Virgem Maria não põe em risco a virgindade nem de Nossa Senhora, nem do próprio José. A Igreja olha São José como sendo o "Castíssimo Esposo", o que se pode observar tanto nos ícones ocidentes quanto nas imagens orientais, em que ele é retratado sempre com um lírio, sinal de pureza virginal.
Alguns alegam que, porque no casamento de José e Maria não havia sexo, não se tratou realmente de um casamento. Ledo engano. O casamento de ambos serve de modelo para os casais, pois todos devem se amar espiritualmente e expressar o seu amor espiritualmente, antes de expressá-lo no ato sexual.
Naquela época, o casamento era "arranjado" entre os pais dos pretendentes. Cabia ao noivo dizer se aceitava ou não a moça que lhe era proposta. José aceitou Maria. E então, assinaram os papéis de noivado e entram no período de tempo de um ano que era reservado ao noivado. Foi nesse tempo que Ela recebeu o anjo, disse o "sim" e engravidou.
Ora, foi nesse momento que José provou seu grande amor por Maria, pois ele poderia ter cancelado o compromisso - a lei o permitia - uma vez que ela ficou grávida e o bebê concebido não era dele. Ele poderia tê-la denunciado para ser apedrejada. Todavia, a Sagrada Escritura afirma que José era um homem justo (cf. Mt 1, 19) e o homem justo quando não sabe, não julga. São José confiava em Nossa Senhora. Ele sabia que ela não mentia, portanto, acreditou e não julgou. E embora tenha ficado perplexo, pois não entendia o que havia acontecido, ainda que acreditasse em Maria, decidiu abandoná-la em segredo, pois ali havia algo maior que a sua capacidade de compreensão. Foi quando, em sonho, recebeu a revelação do anjo.
No Novo Testamento a palavra "sonhar" aparece poucas vezes e mais da metade delas é atribuída a José. O sonhador. Como José do Egito, o filho de Jacó que também foi agraciado com muitos sonhos. O Decreto de Pio IX, Quemadmodum Deus, afirma:
"Da mesma maneira que Deus havia constituído José, gerado do patriarca Jacó, superintendente de toda a terra do Egito para guardar o trigo para o povo, assim, chegando a plenitude dos tempos, estando para enviar à terra o seu Filho Unigênito Salvador do mundo, escolheu um outro José, do qual o primeiro era figura, o fez Senhor e Príncipe de sua casa e propriedade e o elegeu guarda dos seus tesouros mais preciosos."
Logo, a devoção a São José é importantíssima nos tempos de crise, pois como José do Egito guardou o povo de Deus em Israel, agora o novo José guarda a Igreja nascente (Jesus e Maria) e também o povo de Deus espalhado pelo mundo inteiro.
Já em relação a Jesus, uma reflexão que pouco se faz é de que, se Jesus era igual ao homem em tudo, teria que desenvolver também a sua masculinidade. Jesus encontrou em José a figura masculina de que precisava. E Ele aprende, pois se torna um homem viril.
Teologicamente falando, o relacionamento de José com o Verbo Encarnado proporcionou que nascessem todos os privilégios de José. Inclusive, José é a única criatura de que se tem notícia que recebeu um título que pertence propriamente a Deus. O Papa Bento XVI, em um de seus discursos, falando sobre São José, ensina:
"Falando à multidão e aos seus discípulos, Jesus declara: 'Um só é vosso Pai' (Mt 23, 9). Com efeito, não há paternidade fora da de Deus Pai, o único Criador 'do mundo visível e invisível'. Entretanto foi concedido ao homem, criado à imagem de Deus, participar na única paternidade de Deus (cf. Ef 3, 15). Ilustra-o de maneira surpreendente São José, que é pai sem ter exercido uma paternidade carnal. Não é o pai biológico de Jesus, do Qual só Deus é Pai, e todavia exerce uma paternidade plena e completa."
Assim, é da relação de José com Maria e com Jesus que nasce a sua relação com a Igreja. Nós podemos confiar em São José, pois ele continua desempenhando a sua missão de cuidar e proteger o corpo de Cristo que é a Igreja, por isso ele é o patrono da Igreja Universal.
Um último ponto é a questão da morte de São José, que se deu antes da vida pública de Jesus. Ele é considerado o padroeiro dos moribundos e da boa morte, porque morreu sendo assistido por Jesus e Maria.
Recomendações
  1. Michel Gasnier, José, o silencioso
  2. Curso de Josefologia, em DOC
  3. Papa Pio IX, Decreto Quemadmodum Deus, 8 de dezembro de 1870
  4. Papa Pio IX, Carta Apostólica Inclytum Patriarcham, 7 de julho de 1871
  5. Papa Leão XIII, Carta Encíclica Quamquam Pluries, 15 de agosto de 1889
  6. Papa Bento XV, Motu Proprio Bonum Sane, 25 de julho de 1920
  7. Papa Pio XI, Carta Encíclica Divini Redemptoris, 19 de março de 1937
  8. Papa João Paulo II, Exortação Apostólica Redemptoris Custos, 15 de agosto de 1989

Papa Francisco e sua especial devoção por São José

Como o Papa resolve problemas e dificuldades?

Silenciar, ouvir Deus e agir foi o que fez São José, a quem o Papa tem especial devoção
Papa Francisco revelou quem o ajuda a resolver problemas e superar dificuldades: São José, o pai adotivo de Jesus e patrono da Igreja. No encontro com as famílias filipinas, em Manila, nesta sexta-feira (16), o pontífice contou como se confia à intercessão do santo:
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O “São José dormindo” na Casa Santa Marta, com os papéis escritos pelo Papa Francisco
“Eu gostaria de dizer a vocês também uma coisa muito pessoal. Eu gosto muito de São José porque é um homem forte e de silêncio. No meu escritório, eu tenho uma imagem de São José dormindo, e dormindo, ele cuida da Igreja. Quando eu tenho um problema ou uma dificuldade, e o escrevo em um papelzinho e o coloco embaixo de São José, para que ele sonhe sobre isso. Isso significa: para que ele reze por este problema”, afirmou.
O Papa falou sobre esse hábito durante discurso às famílias, ao citar o santo como modelo de silêncio, abandono em Deus, mas também de ação. São José é citado nos Evangelhos repousando enquanto lhe é revelada a vontade divina em sonho.
Para evitar que o amor se perca, o pontífice pediu as famílias que nunca deixem de lado a capacidade de sonhar, e que estejam atentas a três atitudes: repousar no Senhor, levantar-se com Jesus e Maria e ser voz profética. Ele destacou que Deus se manifesta ao homem nos momentos de repouso e que é essencial encontrar tempo para rezar, em meio aos afazeres diários.
“Esses momentos preciosos de repouso, de descanso com o Senhor na oração são momentos que gostaríamos, talvez, de prolongar. Mas, como São José, quando ouvimos a voz de Deus devemos despertar, levantar e agir”, disse.
A imagem de São José dormindo foi um dos poucos itens que o Papa pediu para trazerem-lhe de Buenos Aires, segundo matéria publicada no Vatican Insider. O hábito de confiar ao santo suas preces soma-se a outros sinais da devoção. A paróquia do bairro Flores, na capital argentina, onde Francisco aos 17 anos confessou-se e percebeu pela primeira vez que Deus o chamava ao sacerdócio, é dedicada ao santo. A missa de início do pontificado foi providencialmente celebrada em data especial para os devotos do patrono da Igreja: 19 de março, memória litúrgica de São José.
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Sagrada Família de Nazaré (por Dom Orani João Tempesta

Sagrada Família de Nazaré


Rio de Janeiro (RV) - Ao celebrarmos, nesta sexta-feira, a solenidade da Sagrada Família, queremos estar em comunhão com todas as nossas famílias, desejando que a família de Jesus, Maria e José, imagem modelo de toda família humana, ajude cada um a caminhar no espírito de Nazaré; ajude cada núcleo familiar a aprofundar a própria missão civil e eclesial, mediante a escuta da Palavra de Deus, a oração e a partilha fraterna da vida. E que Maria, Mãe do amor formoso, e José, Guarda do Redentor, nos acompanhem a todos com a sua incessante proteção.

O Papa Paulo VI, quando de sua visita à Terra Santa, recordou em Nazaré o que é a “família, sua comunhão de amor, sua beleza simples e austera, seu caráter sagrado e inviolável. Aprendamos de Nazaré o quanto a formação que recebemos é doce e insubstituível: aprendamos qual é a sua função primária no plano social” (5 de janeiro de 1964).

O Papa Bento XVI, em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2012, ilumina, porém, a dura realidade hodierna: “Vivemos num mundo em que a família e até a própria vida se veem constantemente ameaçadas e, não raro, destroçadas. Condições de trabalho frequentemente pouco compatíveis com as responsabilidades familiares, preocupações com o futuro, ritmos frenéticos de vida, emigração à procura de um adequado sustentamento, se não mesmo da pura sobrevivência, acabam por tornar difícil a possibilidade de assegurar aos filhos um dos bens mais preciosos: a presença dos pais; uma presença que permita compartilhar de forma cada vez mais profunda o caminho para se poder transmitir a experiência e as certezas adquiridas com os anos – o que só se torna viável com o tempo passado juntos. Queria aqui dizer aos pais para não desanimarem! Com o exemplo da sua vida, induzam os filhos a colocar a esperança antes de tudo em Deus, o único de quem surgem justiça e paz autênticas.”

Diante da dura realidade e o exemplo da Família de Nazaré, nós somos chamados a dar respostas concretas para a nossa sociedade. A Sagrada Família de Nazaré revela a todos o sentido real e verdadeiro de seus valores, a fim de que todas as famílias, de modo amplo, pudessem perceber a necessidade de buscar, ao longo da vida, a intensidade profunda de uma vida santa no contexto da composição familiar e da educação dos filhos, fazendo valer a própria indissolubilidade do Sacramento do Matrimônio.

O Beato João Paulo II, na Carta dirigida à Família por ocasião do Ano Internacional da Família, 1994, escreve: “A Sagrada Família é a primeira de tantas outras famílias santas. O Concílio recordou que a santidade é a vocação universal dos batizados (LG 40). Como no passado, também na nossa época não faltam testemunhas do “evangelho da família”, mesmo que não sejam conhecidas nem proclamadas santas pela Igreja.

Na missa celebrada por ocasião do II Encontro Mundial das Famílias, em nossa Arquidiocese do Rio de Janeiro, em 1997, disse com propriedade atualíssima: “Pais e famílias do mundo inteiro, deixai que vo-lo diga: Deus vos chama à santidade! Ele mesmo escolheu-nos "por Jesus Cristo, antes da criação do mundo – nos diz S. Paulo – para que sejamos santos na sua presença" (Ef 1,4). Ele vos ama loucamente, Ele deseja a vossa felicidade, mas quer que saibais conjugar sempre a fidelidade com a felicidade, pois não pode haver uma sem a outra. Não deixeis que a mentalidade hedonista, a ambição e o egoísmo entrem nos vossos lares. Sede generosos com Deus. Não poderia deixar de recordar, mais uma vez, que a família está ao «serviço da Igreja e da sociedade no seu ser e agir, enquanto comunidade íntima de vida e de amor» (FC, 50). A mútua doação abençoada por Deus, perpassada de fé, esperança e caridade, permitirá alcançar a perfeição e a mútua santificação de cada um dos esposos. Servirá, em outras palavras, como núcleo santificador da própria família e de expansão da obra de evangelização de todo o lar cristão.”

O Papa, no Rio de Janeiro, manifestou a grande tarefa que cabe à família: “Queridos irmãos e irmãs, que grande tarefa tendes por diante! Sede portadores de paz e de alegria no seio do lar; a graça eleva e aperfeiçoa o amor, e com ele vos concede as virtudes familiares indispensáveis da humildade, do espírito de serviço e de sacrifício, do afeto paterno e filial, do respeito e da mútua compreensão. E, como o bem é por si mesmo difusivo, faço votos também de que a vossa adesão à pastoral familiar seja, na medida das vossas possibilidades, um incentivo a irradiar generosamente o dom que está em vós, primeiramente entre os filhos, depois àqueles casais – talvez parentes e amigos – que estão afastados de Deus ou passam por momentos de incompreensão ou de desconfiança... convido todos os que me ouvem a este revigoramento da fé e do testemunho de cristãos, a fim de que, com a graça de Deus, haja uma verdadeira conversão e renovamento pessoal no seio das famílias de todo o mundo (cf. TMA, 42). Que o espírito da Sagrada Família de Nazaré reine em todos os lares cristãos!”.

Em síntese, a Família Sagrada de Nazaré é o grande modelo de amor, obediência, harmonia e virtude que deve ser seguido por todos os componentes de todas as famílias que povoam o mundo criado por Deus. “A família é a célula da sociedade” e, justamente por isso, a mesma precisa estar bem alicerçada nos valores que dão sentido à família como comunidade de vida no amor dado pelo próprio Deus.

Na preparação para a JMJ Rio 2013, em que receberemos os jovens do mundo inteiro, em união com o Santo Padre, o Papa, que nossas famílias se empenhem na organização desse grande evento mundial que coloca a juventude como uma das grandes preocupações pastorais da Igreja, visto que os jovens são as maiores jóias de nossas famílias. Sigamos o seu exemplo e valorizemos as nossas famílias à imitação da Sagrada Família de Nazaré!

† Orani João Tempesta, O. Cist


Casamento Santo (por Dom Fulton J. Sheen)

Quero falar-vos dum matrimônio que formou uma família: o de Maria e José.


Para se explicar a singularidade destas núpcias, importa ter presente uma verdade: pode haver casamento sem haver união física.

Isto pode verificar-se por três razões: porque os sentidos, já saciados, se tornaram insensíveis; porque os esposos, depois de se terem unido, fazem voto a Deus de renunciarem ao prazer para se dedicarem aos mais sublimes êxtases do espírito; e finalmente porque os esposos, não obstante o casamento, fazem voto de virgindade, renunciando aos direitos recíprocos.

E a virgindade torna-se o fulcro desta união.

Uma coisa é renunciar aos prazeres da vida conjugal pela saciedade experimentada; outra é renunciar a eles antes de se terem experimentado, para formar apenas uma união de corações como nas núpcias de Maria e José.

Eles uniram-se como duas estrelas que nunca se conjugam, enquanto as suas luzes se cruzam na atmosfera.

Foi um enlace semelhante ao que se dá na primavera entre as flores que irradiam conjuntamente os seus perfumes; melodia formada pela fusão de sons de instrumentos diferentes.

Os esposos, renunciando aos seus direitos recíprocos, não destroem a essência do matrimônio, pois, como diz Santo Agostinho: "A base dum casamento de amor é a união dos corações".

Isto sugere uma pergunta: por que foi necessário o casamento, se Maria e José fizeram voto de virgindade?

José era velho ou novo?

O casamento era necessário, não obstante o voto de virgindade, para preservar a Virgem de qualquer sombra, enquanto não chegasse o momento, para Ela, de revelar o mistério do nascimento de Jesus.

Julgou-se então, que Nosso Senhor era filho de S. José. E assim o nascimento de Cristo não foi exposto ao sarcasmo do povo, nem foi motivo de escândalo para os fracos na fé.
Deste modo, a pureza de Maria pôde ter em José um testemunho e bem valioso.

Porém, todo o privilégio de graça deve ser correspondido. Maria e José haviam de vir a pagá-lo com a sua maior dor.

O Anjo não lhe havia mandado revelar a obra do Espírito Santo realizada nela, e Maria calou-se. José, não sabendo como explicar o fenômeno, pensou em repudiá-la.

Nossa Senhora revelou outrora a um santo: "Nunca experimentei angústia mais intensa, depois da do Gólgota, do que as dos dias em que, com pesar meu, tive de desagradar a José, que era um justo".

José, não podendo compreender o sucedido, sofria: sabia que Maria tinha feito, como ele, voto de virgindade, e portanto, reputando-a acima de toda a suspeita, não queria considerá-la culpada.

Que havia ele de pensar?

A surpresa de José era comparável com a de Maria, quando, no momento da Anunciação, perguntou: "Como pode isso acontecer, se eu não conheço homem?"
Maria queria saber como podia ser virgem e mãe; José não sabia como podia ser virgem e pai.

E o anjo explicou-lhe que só Deus tinha o poder de fazer isso; não a ciência humana. Só os que entendem as vozes dos anjos podem penetrar este mistério.

Como José queria repudiar secretamente Maria, o anjo levantou-lhe o véu do mistério: de fato, apenas tal pensamento se apresentou ao espírito de José, apareceu-lhe em sonho um anjo que lhe disse: "José, filho de Davi, não receies ter contigo a tua esposa Maria, porque Aquele que dela há de nascer é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho a que darás o nome de Jesus. Ele libertará o seu povo dos pecados" (Mateus 1, 20-21).

E assim José, conhecendo as razões do nascimento de Cristo, pôde encontrar de novo a paz.

A sua alma transbordou de felicidade ao saber que era o pai putativo do Salvador do mundo e o guarda da Mãe daquele que não cabe nos céus.

Eis-nos agora na segunda pergunta relativa a José: era velho ou novo?

A maior parte das esculturas e dos quadros, no-lo apresentam como um ancião de longas barbas brancas. Não há todavia dado algum histórico preciso a indicar-nos a sua idade.
Se indagarmos as razões pelas quais em arte ele é representado como um velho, descobrimos que esse aspecto lhe é atribuído em virtude de assim lhe caber melhor a função de guarda da virgindade de Maria.

Mas a arte fez de José um marido casto e puro, mais pela idade do que pelas virtudes.
É como admitir que a melhor forma de representar um homem que nunca roubará é imaginá-lo sem mãos.

Esquece-se acima de tudo que nos velhos podem arder os mesmos maus desejos que nos jovens. Temos um exemplo em Suzana. Foram alguns velhos que a tentaram no jardim.
Representando-se José como ancião, atribui-se maior merecimento à idade dum homem do que à sua virtude.

Considerar José como puro por ser velho seria o mesmo que querer exaltar uma torrente montanhosa privada de água.

Antes parece lógico pensar que Nosso Senhor preferiu para pai putativo um homem que sabia e queria sacrificar-se, e não um que fosse obrigado a isso.

De resto, parece-nos possível que Deus quisesse unir uma donzela a um velho?

Se Ele não desdenhou, aos pés da Cruz, de confiar sua mãe ao jovem João, porque havia de a querer, na primavera da vida, ligada a um velho.

O amor da mulher determina o do homem.

A mulher é a silenciosa educadora da virilidade do seu marido. Uma vez que Maria é o símbolo da virgindade e é para todos a sublime inspiradora da pureza, por que não havia Ela de ter exercido essa sua fascinação maravilhosa sobre José, o Justo?

Não diminuindo a potência do amor mas sublimando-a, Ela conquistou o seu jovem esposo.
Quero pois admitir que José fosse jovem, forte, viril, atlético, formoso e casto; aquele tipo de homem que ainda hoje podeis ver num prado a apascentar um rebanho, ou a pilotar um avião ou na oficina dum carpinteiro.

Longe de ser incapaz de amar, ele estava em plena efervescência viril; não fruto seco, mas flor exuberante e prometedora; não no ocaso da vida, mas no alvorecer, pletórico de energia, de força e de paixão.

Como nos aparecem mais belos Maria e José quando, ao contemplarmos a sua vida, nós descobrimos neles o Primeiro Romance de Amor!

O coração humano não se comove diante do amor dum velho por uma jovem, mas como não nos sentimos profundamente impressionados com o amor de dois jovens cujo liame é divino?

Maria e José eram ambos jovens, formosos e cheios de promessas.

Deus ama as cataratas impetuosas e as turbulentas cascatas, mas estou certo de que Ele as prefere, não quando inutilizam as suas flores, mas quando, com a energia que delas emana, iluminam as cidades e quando, com as suas águas, se mitiga a sede duma criança.
Em Maria e José não encontramos uma cascata de água pura, mas determinada, nem tampouco um lago de água já enxuto, mas dois jovens que, antes de conhecerem a beleza duma e a potente força do outro, a tudo renunciam, querendo entregar-se inteiramente à "paixão sem paixão" e à "impetuosa calma" de Jesus.

Maria e José levaram para as suas núpcias não só os seus votos de virgindade, mas também dois corações cheios dum amor grande, maior do que qualquer amor jamais alimentado por corações humanos.

Nunca um par de noivos se amou tanto.

Posso perguntar-vos, a vós que sois casados: a que tendeis depois de vos terdes amado? Ao Infinito, a um eterno êxtase.

Mas vós não podeis experimentá-lo na sua plenitude, porque o Infinito a que a vossa alma aspira está aprisionado pelo corpo. Isto obstrui-vos o caminho para Deus, ao qual aspirais.
Mas se hoje o ato de amor não vos faz experimentar uma delícia infinita, amanhã ser-vos-á dado experimentá-la no céu.

Então não será necessária a união dos corpos, porque tereis amor infinito.

Eis porque disse Deus que no Céu não haverá matrimônios. Não será necessário a aparência, porque tereis a substância.
Ireis vós afadigar-vos para descobrirdes um raio de sol refletido num espelho, se o podeis gozar diretamente?

Pois bem, a alegria de possuir no céu, um amor eterno, sem limites, para o qual aspira o vosso matrimônio em Cristo, foi já experimentado por Maria e José.
Vós tendes necessidade da união material, porque não possuís a realidade de Deus. Maria e José, possuindo Jesus, nada mais desejavam.

Vós necessitais da comunhão física para compreenderdes a união de Cristo e da Igreja. Eles não, porque possuíam a Divindade.

Como disse Leão XIII em termos maravilhosos: "O seu matrimônio foi consumado em Jesus".

Vós uni-vos nos corpos, eles em Jesus.

Porque haviam eles de procurar as alegrias da carne, quando no seu amor estava a Luz do Mundo?

Em verdade, Ele é Jesus, a delícia dos corações. Estando Ele presente, nada mais conta.
Do mesmo modo que marido e mulher, inclinados sobre o berço do seu menino recém-nascido, se esquecem de si mesmos, assim Maria e José não tiveram outro pensamento senão Jesus.

Amor mais profundo nunca houve nem haverá jamais sobre a terra.

Não alcançaram Deus através do seu amor recíproco, mas, tendo-se dirigido primeiramente a Ele, sentiram depois esse grande e puro amor um pelo outro.
José renunciou à paternidade no sangue, mas encontrou-a no espírito, pois tornou-se pai putativo de Jesus.

Maria renunciou à maternidade, e encontrou-a na sua própria virgindade.

Ela foi como o jardim fechado em que nada pôde entrar senão a Luz do Mundo, que nada teria quebrado para entrar, exatamente como a luz do dia que penetra numa sala sem quebrar os vidros.

Dedico esta transmissão a todos vós os que sois casados cristãmente e a todos os que um dia hão de ser admitidos ao grande mistério do amor.

Sirva o exemplo de Maria e José para vos fazer compreender que o maior erro dum par de noivos é o de suporem que duas pessoas são suficientes para se desposarem: Ele e Ela.
Não! São necessárias três: Ele, Ela, Deus: José, Maria, Jesus.

Poderei pedir-vos a vós, marido, mulher e filhos, que rezeis em comum, em homenagem a este amor perfeito da Sagrada Família, um rosário todas as noites?
Todos os casais que eu tenho unido em matrimônio vos podem dizer que foi sempre esta a minha recomendação: rezarem todos em comum.

A oração duma família unida é mais aceita a Deus do que a se faz individualmente, porque a família representa a unidade da sociedade.

O Cristianismo é a única religião que tem um caráter familiar, porque tem origem numa Mãe e num Filho.

Enquanto vós rezardes todas as noites o santo rosário com a vossa família, Nossa Senhora revelar-vos á o segredo do Amor e talvez vos segredeis entre vós: "Amo-te, não segundo a minha vontade, mas segundo a de Deus".

Se no amor tu me procurares a mim somente, não encontrarás nada; mas se através de mim procurares Deus, encontrarás tudo, uma vez que, repito, é necessário sermos três para amarmos: tu, eu e Deus!

No amor de Jesus!

Dom Fulton J. Sheen - EUA


São José, aquele que sempre confiou em Deus que nunca nos abandona

Nesta quarta-feira, 1º de maio, Dia do Trabalho, também é dia de Audiência Geral no Vaticano. De fato, o Papa Francisco encontrou-se com milhares de pessoas provenientes de todas as partes do mundo na Praça São Pedro, numa manhã ensolarada, num verdadeiro clima de verão. Foi uma oportunidade para ouvir a reflexão do Santo Padre sobre São José Operário e seus apelos àqueles que tem a responsabilidade de administrar o bem comum:
“Desejo dirigir a todos o convite à solidariedade, e aos Responsáveis das coisas públicas o encorajamento para fazer todo esforço para dar novo impulso às oportunidades de trabalho; isto significa preocuparem-se pela dignidade das pessoas; mas sobretudo, quero dizer não percam a esperança; também São José teve momentos difíceis, mas jamais perdeu a fé e soube superá-las, na certeza que Deus não abandona.”
Em seguida o Papa fez um apelo à juventude: 
“Quero dirigir-me em particular a vocês adolescentes e jovens: empenhem-se nos seus deveres diários, nos estudos, no trabalho, nas relações de amizade, nas ajudas ao próximo; o futuro de vocês depende também de como vocês saberão viver estes preciosos anos da vida. Não tenham medo do compromisso e não olhem com medo para o futuro; mantenham viva a esperança: existe sempre uma luz no horizonte.”
Outro apelo, ou melhor, uma denúncia, foi feita pelo Papa Francisco sobre a situação do trabalho escravo que ainda existe na sociedade de hoje
“Quantas pessoas, em todo o mundo, são vítimas deste tipo de escravidão, na qual é a pessoa que serve ao trabalho, enquanto deveria ser o trabalho a oferecer um serviço à pessoa para que ela tenha dignidade. Peço aos irmãos e irmãs na fé e a todos os homens e mulheres de boa vontade uma decidida tomada de posição contra o tráfico de pessoas, no âmbito do qual está o “trabalho escravo”.
O papa falou sobre o desemprego e pediu às autoridades políticas para que criem ofertas de emprego.
“Peço aos políticos que façam todo o possível para reativar o mercado de trabalho”, afirmou o Papa diante de milhares de fiéis na audiência semanal na praça de São Pedro.
“O trabalho é fundamental para a dignidade”, completou.
“Penso nas dificuldades do mercado de trabalho nos distintos países. Penso nas pessoas, não apenas nos jovens, que estão sem emprego, geralmente por causa de uma visão econômica da sociedade fundada no lucro egoísta fora das regras da justiça social”, disse o pontífice.
Momentos antes o Papa na sua catequese falou da festa de São José Operário, e do mês de maio, tradicionalmente dedicado a Nossa Senhora. A figura de São José – disse Papa Francisco – nos remete à dignidade e importância do trabalho, pois foi com seu pai adotivo que Jesus aprendeu a trabalhar. De fato, o trabalho enche o homem de dignidade e, em certo sentido, o assemelha a Deus que, como se lê na Bíblia, “trabalha sempre” (cf. Jo 5,17). Isso nos leva a pensar em tantas pessoas que se encontram desempregadas, muitas vezes por causa de uma concepção econômica que busca somente o lucro egoísta. Também São José teve de enfrentar momentos difíceis, saindo vencedor pela confiança em Deus que nunca nos abandona.
Ao lado de São José, Nossa Senhora acompanhava com carinho e ternura o crescimento do Filho de Deus feito homem. Aproveitemos o mês de maio para reforçar a consciência da importância e beleza da oração do terço, que permite aprender de Nossa Senhora a contemplar os mistérios da vida de Jesus, percebendo sempre mais a Sua presença junto de nós.
O Santo Padre concluindo a audiência geral de hoje falou, como sempre faz, aos grupos vindos de diversos países. Aos brasileiros presentes Francisco disse: “Neste mês mariano, com a ajuda de Nossa Senhora e São José, busquem sempre contemplar mais intensamente a face do Senhor Jesus para que Ele seja o centro de vossos pensamentos, das vossas orações, da vossa vida.”
Fonte: Portal Ecclesia

A devoção do papa a São José dormindo


Junto à porta do quarto 201 da Casa de Santa Marta (o quarto do papa Francisco), dorme um São José de madeira, em cima de uma mesa. Entalados, por baixo, os bilhetinhos que o papa lhe escreve.Toda a gente sabe que o papa Francisco tem uma confiança total em Nossa Senhora e em São José. O entusiasmo acabou por contagiar toda a casa, dos monsenhores aos guardas suíços. Um dos colaboradores conta que o Papa lhe disse:— Sabes, é preciso ter paciência com estes carpinteiros: dizem que fazem um móvel em duas semanas, e depois demoram um mês. Mas fazem-no e trabalham bem! É preciso é ter paciência…
A imagem mede 40 cm e foi das poucas coisas que o papa mandou vir de Buenos Aires. Aparentemente, São José dorme, mas a imagem representa uma outra atividade, relatada no Evangelho: mais do que dormir, São José escuta a voz de Deus durante a noite e dispõe-se a cumpri-la. É isso que interessa ao papa.Aliás, para uma figura que dorme, a imagem não para quieta na sua mesa. Às vezes, quando o trabalho de São José aperta, isto é, quando o número de bilhetinhos aumenta, a estátua fica empoleirada num monte de papelada.— O santo padre dá muito trabalho a São José. A devoção já se pegou a todos os que trabalham à volta da residência de Francisco, incluindo os guardas suíços…Bento XVI tinha decidido introduzir em todas as orações eucarísticas uma referência a São José, logo a seguir à invocação de Nossa Senhora, mas preferiu deixar o assunto ao seu sucessor. O papa Francisco não perdeu tempo a confirmar a decisão.
No dia 5 de julho de 2013, o papa Francisco, acompanhado por Bento XVI, foi consagrar o Estado do Vaticano a São José. A cerimônia também já estava programada no pontificado anterior, mas nem por isso teve menos significado:— São José, (…) consagramos-te as fadigas e as alegrias de cada dia; consagramos-te as expectativas e as esperanças da Igreja; consagramos-te os pensamentos, os desejos e as obras: tudo se cumpra no nome do Senhor Jesus.
O início deste pontificado deu-se a 19 de março de 2013, festa de São José, e, na homilia da missa, o papa Francisco sublinhou o significado dessa circunstância.— Nunca esqueçamos que o verdadeiro poder é o serviço e que, para exercer o poder, também o papa se deve meter cada vez mais naquele serviço que culmina na Cruz. Deve olhar para o serviço humilde, concreto, rico de fé, de São José e abrir os braços, como ele, para guardar todo o povo de Deus e acolher com afeto e ternura a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais débeis, os mais pequenos… só quem serve com amor sabe guardar!
*Andrea Tornielli é jornalista que entrou na Casa de Santa Marta, em Roma, onde mora o papa.
Fonte: www.terra.com.br

Somos como Maria e José que acolhem Jesus e cuidam d’Ele com amor maternal e paternal?






SANTA MISSA
HOMILIA DO DO SANTO PADRE
Praça da Manjedoura (Belém)
Domingo, 25 de Maio de 2014

«Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12).

Que graça grande celebrar a Eucaristia junto do lugar onde nasceu Jesus! Agradeço a Deus e agradeço a vós que me acolhestes nesta minha peregrinação: o Presidente Mahmoud Abbas e demais autoridades; o Patriarca Fouad Twal, os outros Bispos e os Ordinários da Terra Santa, os sacerdotes, os dedicados Franciscanos, as pessoas consagradas e quantos trabalham por manter viva a fé, a esperança e a caridade nestes territórios; as delegações de fiéis vindas de Gaza, da Galileia, os imigrantes da Ásia e da África. Obrigado pela vossa recepção!

O Menino Jesus, nascido em Belém, é o sinal dado por Deus a quem esperava a salvação, e permanece para sempre o sinal da ternura de Deus e da sua presença no mundo. O Anjo disse aos pastores: «Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino…».

Também hoje  as crianças são um sinal. Sinal de esperança, sinal de vida, mas também sinal de «diagnóstico» para compreender o estado de saúde duma família, duma sociedade, do mundo inteiro. Quando as crianças são acolhidas, amadas, protegidas, tuteladas, a família é sadia, a sociedade melhora, o mundo é mais humano. Pensemos na obra que realiza o Instituto Effathá Paulo VI a favor das crianças surdas-mudas palestinenses: é um sinal concreto da bondade de Deus. É um sinal concreto de que a sociedade melhora.
Hoje Deus repete também a nós, homens e mulheres do século XXI: «Isto vos servirá de sinal», procurai o menino…

O Menino de Belém é frágil, como todos os recém-nascidos. Não sabe falar e, no entanto, é a Palavra que Se fez carne e veio para mudar o coração e a vida dos homens. Aquele Menino, como qualquer criança, é frágil e precisa de ser ajudado e protegido. Também hoje as crianças precisam de ser acolhidas e defendidas, desde o ventre materno.

Infelizmente, neste mundo que desenvolveu as tecnologias mais sofisticadas, ainda há tantas crianças em condições desumanas, que vivem à margem da sociedade, nas periferias das grandes cidades ou nas zonas rurais. Ainda hoje há tantas crianças exploradas, maltratadas, escravizadas, vítimas de violência e de tráficos ilícitos. Demasiadas são hoje as crianças exiladas, refugiadas, por vezes afundadas nos mares, especialmente nas águas do Mediterrâneo. De tudo isto nos envergonhamos hoje diante de Deus, Deus que Se fez Menino.

E interrogamo-nos: Quem somos nós diante de Jesus Menino? Quem somos nós diante das crianças de hoje? Somos como Maria e José que acolhem Jesus e cuidam d’Ele com amor maternal e paternal? Ou somos como Herodes, que quer eliminá-Lo? Somos como os pastores, que se apressam a adorá-Lo prostrando-se diante d’Ele e oferecendo-Lhe os seus presentes humildes? Ou então ficamos indiferentes? Por acaso limitamo-nos à retórica e ao pietismo, sendo pessoas que exploram as imagens das crianças pobres para fins de lucro? Somos capazes de permanecer junto delas, de «perder tempo» com elas? Sabemos ouvi-las, defendê-las, rezar por elas e com elas? Ou negligenciamo-las, preferindo ocupar-nos dos nossos interesses?

«Isto nos servirá de sinal: encontrareis um menino…». Talvez aquela criança chore! Chora porque tem fome, porque tem frio, porque quer colo... Também hoje as crianças choram (e choram muito!), e o seu choro interpela-nos. Num mundo que descarta diariamente toneladas de alimentos e remédios, há crianças que choram, sem ser preciso, por fome e doenças facilmente curáveis. Num tempo que proclama a tutela dos menores, comercializam-se armas que acabam nas mãos de crianças-soldado; comercializam-se produtos confeccionados por pequenos trabalhadores-escravos. O seu choro é sufocado: o choro destes meninos é sufocado! Têm que combater, têm que trabalhar, não podem chorar! Mas choram por elas as mães, as Raquéis de hoje: choram os seus filhos, e não querem ser consoladas (cf. Mt 2, 18).
«Isto vos servirá de sinal»: encontrareis um menino. O Menino Jesus nasceu em Belém, cada criança que nasce e cresce em qualquer parte do mundo é sinal de diagnóstico, que nos permite verificar o estado de saúde da nossa família, da nossa comunidade, da nossa nação. Deste diagnóstico franco e honesto, pode brotar um novo estilo de vida, onde as relações deixem de ser de conflito, de opressão, de consumismo, para serem relações de fraternidade, de perdão e reconciliação, de partilha e de amor.

Ó Maria, Mãe de Jesus,

Vós que acolhestes, ensinai-nos a acolher;
Vós que adorastes, ensinai-nos a adorar; 
Vós que acompanhastes, ensinai-nos a acompanhar. Amen.

Somos como Maria e José que acolhem Jesus e cuidam d’Ele com amor maternal e paternal?

SANTA MISSA
HOMILIA DO DO SANTO PADRE
Praça da Manjedoura (Belém)
Domingo, 25 de Maio de 2014

«Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12).
Que graça grande celebrar a Eucaristia junto do lugar onde nasceu Jesus! Agradeço a Deus e agradeço a vós que me acolhestes nesta minha peregrinação: o Presidente Mahmoud Abbas e demais autoridades; o Patriarca Fouad Twal, os outros Bispos e os Ordinários da Terra Santa, os sacerdotes, os dedicados Franciscanos, as pessoas consagradas e quantos trabalham por manter viva a fé, a esperança e a caridade nestes territórios; as delegações de fiéis vindas de Gaza, da Galileia, os imigrantes da Ásia e da África. Obrigado pela vossa recepção!
O Menino Jesus, nascido em Belém, é o sinal dado por Deus a quem esperava a salvação, e permanece para sempre o sinal da ternura de Deus e da sua presença no mundo. O Anjo disse aos pastores: «Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino…».
Também hoje  as crianças são um sinal. Sinal de esperança, sinal de vida, mas também sinal de «diagnóstico» para compreender o estado de saúde duma família, duma sociedade, do mundo inteiro. Quando as crianças são acolhidas, amadas, protegidas, tuteladas, a família é sadia, a sociedade melhora, o mundo é mais humano. Pensemos na obra que realiza o Instituto Effathá Paulo VI a favor das crianças surdas-mudas palestinenses: é um sinal concreto da bondade de Deus. É um sinal concreto de que a sociedade melhora.
Hoje Deus repete também a nós, homens e mulheres do século XXI: «Isto vos servirá de sinal», procurai o menino…
O Menino de Belém é frágil, como todos os recém-nascidos. Não sabe falar e, no entanto, é a Palavra que Se fez carne e veio para mudar o coração e a vida dos homens. Aquele Menino, como qualquer criança, é frágil e precisa de ser ajudado e protegido. Também hoje as crianças precisam de ser acolhidas e defendidas, desde o ventre materno.
Infelizmente, neste mundo que desenvolveu as tecnologias mais sofisticadas, ainda há tantas crianças em condições desumanas, que vivem à margem da sociedade, nas periferias das grandes cidades ou nas zonas rurais. Ainda hoje há tantas crianças exploradas, maltratadas, escravizadas, vítimas de violência e de tráficos ilícitos. Demasiadas são hoje as crianças exiladas, refugiadas, por vezes afundadas nos mares, especialmente nas águas do Mediterrâneo. De tudo isto nos envergonhamos hoje diante de Deus, Deus que Se fez Menino.
E interrogamo-nos: Quem somos nós diante de Jesus Menino? Quem somos nós diante das crianças de hoje? Somos como Maria e José que acolhem Jesus e cuidam d’Ele com amor maternal e paternal? Ou somos como Herodes, que quer eliminá-Lo? Somos como os pastores, que se apressam a adorá-Lo prostrando-se diante d’Ele e oferecendo-Lhe os seus presentes humildes? Ou então ficamos indiferentes? Por acaso limitamo-nos à retórica e ao pietismo, sendo pessoas que exploram as imagens das crianças pobres para fins de lucro? Somos capazes de permanecer junto delas, de «perder tempo» com elas? Sabemos ouvi-las, defendê-las, rezar por elas e com elas? Ou negligenciamo-las, preferindo ocupar-nos dos nossos interesses?
«Isto nos servirá de sinal: encontrareis um menino…». Talvez aquela criança chore! Chora porque tem fome, porque tem frio, porque quer colo... Também hoje as crianças choram (e choram muito!), e o seu choro interpela-nos. Num mundo que descarta diariamente toneladas de alimentos e remédios, há crianças que choram, sem ser preciso, por fome e doenças facilmente curáveis. Num tempo que proclama a tutela dos menores, comercializam-se armas que acabam nas mãos de crianças-soldado; comercializam-se produtos confeccionados por pequenos trabalhadores-escravos. O seu choro é sufocado: o choro destes meninos é sufocado! Têm que combater, têm que trabalhar, não podem chorar! Mas choram por elas as mães, as Raquéis de hoje: choram os seus filhos, e não querem ser consoladas (cf. Mt 2, 18).
«Isto vos servirá de sinal»: encontrareis um menino. O Menino Jesus nasceu em Belém, cada criança que nasce e cresce em qualquer parte do mundo é sinal de diagnóstico, que nos permite verificar o estado de saúde da nossa família, da nossa comunidade, da nossa nação. Deste diagnóstico franco e honesto, pode brotar um novo estilo de vida, onde as relações deixem de ser de conflito, de opressão, de consumismo, para serem relações de fraternidade, de perdão e reconciliação, de partilha e de amor.
Ó Maria, Mãe de Jesus,
Vós que acolhestes, ensinai-nos a acolher;
Vós que adorastes, ensinai-nos a adorar;
Vós que acompanhastes, ensinai-nos a acompanhar. Amen.

A Sagrada Família e a virtude da laboriosidade.

O crescimento de Jesus “em sabedoria, em estatura e em graça” (Lc 2,52), deu-se no âmbito da Sagrada Família, sob o olhar de São José, que tinha a alta função de o “criar”; ou seja, de alimentar, vestir e instruir Jesus na Lei e num ofício, em conformidade com os deveres estabelecidos para o pai. Por sua parte, Jesus “era-lhes submisso” (Lc 2,51), correspondendo com o respeito às atenções dos seus “pais”. Dessa forma quis santificar os deveres da família e do trabalho, que ele próprio executava ao lado de José.
(São João Paulo II, Papa, Exortação Apostólica Redemptoris Custos, 16)

A Sagrada Família constitui-se um notável exemplo de simplicidade. Como disse São José Marello: “Os grandes santos atingiram sua santidade não tanto por pela prática de virtudes extraordinárias, para as quais as ocasiões são muito raras, mas com os atos repetidos e incessantes das pequenas virtudes”. Vejamos:

O grão de mostarda é considerado a menor das sementes semeadas na horta, e no entanto, ela se desenvolve a ponto de se tornar uma grande e bela árvore. Por esta razão ela representa bem as pequenas virtudes, as quais podem produzir uma grande santidade. De fato, os grandes santos atingiram sua santidade não tanto por pela prática de virtudes extraordinárias, para as quais as ocasiões são muito raras, mas com os atos repetidos e incessantes das pequenas virtudes. Assim, São José não fez coisas extraordinárias; mas com a prática constante de virtudes ordinárias e comuns atingiu aquela santidade que o eleva muito além de todos os outros santos. Também Jesus não realizou sempre atos extraordinários e heróicos, como o afastamento da mãe e a morte de cruz. Mas quantos atos de virtude Ele fez e quanto mereceu! (São José Marello).

Aprendamos com São José Marello que “a prática constante” de “virtudes ordinárias e comuns”, é capaz de produzir no ambiente familiar, no mundo do trabalho e em nossas comunidades, resultados surpreendentes. Mas, quais são estas virtudes? Entre tantas, o Papa Bento XVI destacou três virtudes da Sagrada Família que devem ser cultivadas para que tenhamos famílias realizadas e felizes. Vejamos:

"Para ajudar as famílias, vos exorto a propor-lhes, com convicção, as virtudes da Sagrada Família: a oração, pedra angular de todo lar fiel à sua própria identidade e missão; a laboriosidade, eixo de todo o matrimônio maduro e responsável; o silêncio, cimento de toda a atividade livre e eficaz. Desse modo, encorajo os vossos sacerdotes e os centros pastorais das vossas dioceses a acompanhar as famílias, para que não sejam iludidas e seduzidas por certos estilos de vida relativistas, que as produções cinematográficas e televisivas e outros meios de informação promovem" (Papa Bento XVI, 25/09/2009)

Mas, como podemos definir a virtude da laboriosidade? Segundo um olhar simplesmente humano, podemos afirmar que a laboriosidade é virtude de realizar uma tarefa, trabalhando muito e com dedicação. O sentido cristão de laboriosidade, entretanto é bem mais rico: “trata-se, em última análise, da santificação da vida quotidiana” e de um modo “humilde e maduro de servir”, como ensinou o Papa Santo João Paulo II.

Nesta Semente Josefina não nos deteremos em explicações e análises, mas em olhar para o exemplo da Sagrada Família e aprender com eles. Como afirmou o Papa Bento XVI, a laboriosidade é o eixo de todo o matrimônio maduro e responsável. E assim aconteceu com a Sagrada Família. Vejamos alguns ensinamentos que nos ajudarão a entender melhor esta importante virtude:

Cuidemos de santificar as pequenas coisas: um pequeno ato de paciência ou de caridade, acompanhado de reta intenção, adquire um imenso valor aos olhos de Deus. São José não fez coisas extraordinárias; mas com a prática constante de virtudes ordinárias e comuns atingiu aquela santidade que o eleva muito além de todos os outros santos. (São José Marello)
Admiremos a diligência de Maria nas Bodas de Caná: ela está toda atenta em cuidar para que tudo corra bem, que todos sejam bem servidos e bem atendidos e não falte nada a ninguém. Esta amorosa atenção de Maria é imagem de seu cuidado espiritual com que ele vela sobre nossas almas para descobrir as necessidades e faltas e providenciar a tempo. (São José Marello)
O crescimento de Jesus “em sabedoria, em estatura e em graça” (Lc 2,52), deu-se no âmbito da Sagrada Família, sob o olhar de São José, que tinha a alta função de o “criar”; ou seja, de alimentar, vestir e instruir Jesus na Lei e num ofício, em conformidade com os deveres estabelecidos para o pai. No Sacrifício eucarístico a Igreja venera “a memória da gloriosa sempre Virgem Maria ... e também a de São José”, porque foi quem “sustentou Aquele que os fiéis deviam comer como Pão de vida eterna”. Por sua parte, Jesus “era-lhes submisso” (Lc 2,51), correspondendo com o respeito às atenções dos seus “pais”. Dessa forma quis santificar os deveres da família e do trabalho, que ele próprio executava ao lado de José. (São João Paulo II)
A expressão quotidiana deste amor na vida da Família de Nazaré é o trabalho. O texto evangélico especifica o tipo de trabalho, mediante o qual José procurava garantir a sustentação da Família: o trabalho de carpinteiro. Esta simples palavra envolve toda a extensão da vida de José. (São João Paulo II)
No crescimento humano de Jesus “em sabedoria, em estatura e em graça” teve uma parte notável a virtude da laboriosidade, dado que “o trabalho é um bem do homem”, que “transforma a natureza” e torna o homem, “em certo sentido, mais homem”. (São João Paulo II)
Trata-se, em última análise, da santificação da vida quotidiana, no que cada pessoa deve empenhar-se, segundo o próprio estado, e que pode ser proposta apontando para um modelo acessível a todos: “São José é o modelo dos humildes, que o Cristianismo enaltece para grandes destinos; ... é a prova de que para ser bons e autênticos seguidores de Cristo não se necessitam ‘grandes coisas’, mas requerem-se somente virtudes comuns, humanas, simples e autênticas”. (São João Paulo II)
“A figura de São José nos remete à dignidade e importância do trabalho, pois foi com seu pai adotivo que Jesus aprendeu a trabalhar. De fato, o trabalho enche o homem de dignidade e, em certo sentido, o assemelha a Deus que, como se lê na Bíblia, “trabalha sempre” (cf. Jo 5,17). Isso nos leva a pensar em tantas pessoas que se encontram desempregadas, muitas vezes por causa de uma concepção econômica que busca somente o lucro egoísta. Também São José teve de enfrentar momentos difíceis, saindo vencedor pela confiança em Deus que nunca nos abandona. (Papa Francisco, 01/05/2013).
“Se, às semelhanças do grande Patriarca São José você tivesse que servir Jesus nos trabalhos modestos e inferiores ao de São Pedro pensaria que o humilde Guarda de Jesus está mais alto no Céu que o grande apóstolo”. (São José Marello)
Fonte: Centro de Espiritualidade Josefino-Marelliana - Sementes Josefinas.