A devoção do papa a São José dormindo


Junto à porta do quarto 201 da Casa de Santa Marta (o quarto do papa Francisco), dorme um São José de madeira, em cima de uma mesa. Entalados, por baixo, os bilhetinhos que o papa lhe escreve.Toda a gente sabe que o papa Francisco tem uma confiança total em Nossa Senhora e em São José. O entusiasmo acabou por contagiar toda a casa, dos monsenhores aos guardas suíços. Um dos colaboradores conta que o Papa lhe disse:— Sabes, é preciso ter paciência com estes carpinteiros: dizem que fazem um móvel em duas semanas, e depois demoram um mês. Mas fazem-no e trabalham bem! É preciso é ter paciência…
A imagem mede 40 cm e foi das poucas coisas que o papa mandou vir de Buenos Aires. Aparentemente, São José dorme, mas a imagem representa uma outra atividade, relatada no Evangelho: mais do que dormir, São José escuta a voz de Deus durante a noite e dispõe-se a cumpri-la. É isso que interessa ao papa.Aliás, para uma figura que dorme, a imagem não para quieta na sua mesa. Às vezes, quando o trabalho de São José aperta, isto é, quando o número de bilhetinhos aumenta, a estátua fica empoleirada num monte de papelada.— O santo padre dá muito trabalho a São José. A devoção já se pegou a todos os que trabalham à volta da residência de Francisco, incluindo os guardas suíços…Bento XVI tinha decidido introduzir em todas as orações eucarísticas uma referência a São José, logo a seguir à invocação de Nossa Senhora, mas preferiu deixar o assunto ao seu sucessor. O papa Francisco não perdeu tempo a confirmar a decisão.
No dia 5 de julho de 2013, o papa Francisco, acompanhado por Bento XVI, foi consagrar o Estado do Vaticano a São José. A cerimônia também já estava programada no pontificado anterior, mas nem por isso teve menos significado:— São José, (…) consagramos-te as fadigas e as alegrias de cada dia; consagramos-te as expectativas e as esperanças da Igreja; consagramos-te os pensamentos, os desejos e as obras: tudo se cumpra no nome do Senhor Jesus.
O início deste pontificado deu-se a 19 de março de 2013, festa de São José, e, na homilia da missa, o papa Francisco sublinhou o significado dessa circunstância.— Nunca esqueçamos que o verdadeiro poder é o serviço e que, para exercer o poder, também o papa se deve meter cada vez mais naquele serviço que culmina na Cruz. Deve olhar para o serviço humilde, concreto, rico de fé, de São José e abrir os braços, como ele, para guardar todo o povo de Deus e acolher com afeto e ternura a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais débeis, os mais pequenos… só quem serve com amor sabe guardar!
*Andrea Tornielli é jornalista que entrou na Casa de Santa Marta, em Roma, onde mora o papa.
Fonte: www.terra.com.br

Somos como Maria e José que acolhem Jesus e cuidam d’Ele com amor maternal e paternal?






SANTA MISSA
HOMILIA DO DO SANTO PADRE
Praça da Manjedoura (Belém)
Domingo, 25 de Maio de 2014

«Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12).

Que graça grande celebrar a Eucaristia junto do lugar onde nasceu Jesus! Agradeço a Deus e agradeço a vós que me acolhestes nesta minha peregrinação: o Presidente Mahmoud Abbas e demais autoridades; o Patriarca Fouad Twal, os outros Bispos e os Ordinários da Terra Santa, os sacerdotes, os dedicados Franciscanos, as pessoas consagradas e quantos trabalham por manter viva a fé, a esperança e a caridade nestes territórios; as delegações de fiéis vindas de Gaza, da Galileia, os imigrantes da Ásia e da África. Obrigado pela vossa recepção!

O Menino Jesus, nascido em Belém, é o sinal dado por Deus a quem esperava a salvação, e permanece para sempre o sinal da ternura de Deus e da sua presença no mundo. O Anjo disse aos pastores: «Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino…».

Também hoje  as crianças são um sinal. Sinal de esperança, sinal de vida, mas também sinal de «diagnóstico» para compreender o estado de saúde duma família, duma sociedade, do mundo inteiro. Quando as crianças são acolhidas, amadas, protegidas, tuteladas, a família é sadia, a sociedade melhora, o mundo é mais humano. Pensemos na obra que realiza o Instituto Effathá Paulo VI a favor das crianças surdas-mudas palestinenses: é um sinal concreto da bondade de Deus. É um sinal concreto de que a sociedade melhora.
Hoje Deus repete também a nós, homens e mulheres do século XXI: «Isto vos servirá de sinal», procurai o menino…

O Menino de Belém é frágil, como todos os recém-nascidos. Não sabe falar e, no entanto, é a Palavra que Se fez carne e veio para mudar o coração e a vida dos homens. Aquele Menino, como qualquer criança, é frágil e precisa de ser ajudado e protegido. Também hoje as crianças precisam de ser acolhidas e defendidas, desde o ventre materno.

Infelizmente, neste mundo que desenvolveu as tecnologias mais sofisticadas, ainda há tantas crianças em condições desumanas, que vivem à margem da sociedade, nas periferias das grandes cidades ou nas zonas rurais. Ainda hoje há tantas crianças exploradas, maltratadas, escravizadas, vítimas de violência e de tráficos ilícitos. Demasiadas são hoje as crianças exiladas, refugiadas, por vezes afundadas nos mares, especialmente nas águas do Mediterrâneo. De tudo isto nos envergonhamos hoje diante de Deus, Deus que Se fez Menino.

E interrogamo-nos: Quem somos nós diante de Jesus Menino? Quem somos nós diante das crianças de hoje? Somos como Maria e José que acolhem Jesus e cuidam d’Ele com amor maternal e paternal? Ou somos como Herodes, que quer eliminá-Lo? Somos como os pastores, que se apressam a adorá-Lo prostrando-se diante d’Ele e oferecendo-Lhe os seus presentes humildes? Ou então ficamos indiferentes? Por acaso limitamo-nos à retórica e ao pietismo, sendo pessoas que exploram as imagens das crianças pobres para fins de lucro? Somos capazes de permanecer junto delas, de «perder tempo» com elas? Sabemos ouvi-las, defendê-las, rezar por elas e com elas? Ou negligenciamo-las, preferindo ocupar-nos dos nossos interesses?

«Isto nos servirá de sinal: encontrareis um menino…». Talvez aquela criança chore! Chora porque tem fome, porque tem frio, porque quer colo... Também hoje as crianças choram (e choram muito!), e o seu choro interpela-nos. Num mundo que descarta diariamente toneladas de alimentos e remédios, há crianças que choram, sem ser preciso, por fome e doenças facilmente curáveis. Num tempo que proclama a tutela dos menores, comercializam-se armas que acabam nas mãos de crianças-soldado; comercializam-se produtos confeccionados por pequenos trabalhadores-escravos. O seu choro é sufocado: o choro destes meninos é sufocado! Têm que combater, têm que trabalhar, não podem chorar! Mas choram por elas as mães, as Raquéis de hoje: choram os seus filhos, e não querem ser consoladas (cf. Mt 2, 18).
«Isto vos servirá de sinal»: encontrareis um menino. O Menino Jesus nasceu em Belém, cada criança que nasce e cresce em qualquer parte do mundo é sinal de diagnóstico, que nos permite verificar o estado de saúde da nossa família, da nossa comunidade, da nossa nação. Deste diagnóstico franco e honesto, pode brotar um novo estilo de vida, onde as relações deixem de ser de conflito, de opressão, de consumismo, para serem relações de fraternidade, de perdão e reconciliação, de partilha e de amor.

Ó Maria, Mãe de Jesus,

Vós que acolhestes, ensinai-nos a acolher;
Vós que adorastes, ensinai-nos a adorar; 
Vós que acompanhastes, ensinai-nos a acompanhar. Amen.

Somos como Maria e José que acolhem Jesus e cuidam d’Ele com amor maternal e paternal?

SANTA MISSA
HOMILIA DO DO SANTO PADRE
Praça da Manjedoura (Belém)
Domingo, 25 de Maio de 2014

«Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12).
Que graça grande celebrar a Eucaristia junto do lugar onde nasceu Jesus! Agradeço a Deus e agradeço a vós que me acolhestes nesta minha peregrinação: o Presidente Mahmoud Abbas e demais autoridades; o Patriarca Fouad Twal, os outros Bispos e os Ordinários da Terra Santa, os sacerdotes, os dedicados Franciscanos, as pessoas consagradas e quantos trabalham por manter viva a fé, a esperança e a caridade nestes territórios; as delegações de fiéis vindas de Gaza, da Galileia, os imigrantes da Ásia e da África. Obrigado pela vossa recepção!
O Menino Jesus, nascido em Belém, é o sinal dado por Deus a quem esperava a salvação, e permanece para sempre o sinal da ternura de Deus e da sua presença no mundo. O Anjo disse aos pastores: «Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino…».
Também hoje  as crianças são um sinal. Sinal de esperança, sinal de vida, mas também sinal de «diagnóstico» para compreender o estado de saúde duma família, duma sociedade, do mundo inteiro. Quando as crianças são acolhidas, amadas, protegidas, tuteladas, a família é sadia, a sociedade melhora, o mundo é mais humano. Pensemos na obra que realiza o Instituto Effathá Paulo VI a favor das crianças surdas-mudas palestinenses: é um sinal concreto da bondade de Deus. É um sinal concreto de que a sociedade melhora.
Hoje Deus repete também a nós, homens e mulheres do século XXI: «Isto vos servirá de sinal», procurai o menino…
O Menino de Belém é frágil, como todos os recém-nascidos. Não sabe falar e, no entanto, é a Palavra que Se fez carne e veio para mudar o coração e a vida dos homens. Aquele Menino, como qualquer criança, é frágil e precisa de ser ajudado e protegido. Também hoje as crianças precisam de ser acolhidas e defendidas, desde o ventre materno.
Infelizmente, neste mundo que desenvolveu as tecnologias mais sofisticadas, ainda há tantas crianças em condições desumanas, que vivem à margem da sociedade, nas periferias das grandes cidades ou nas zonas rurais. Ainda hoje há tantas crianças exploradas, maltratadas, escravizadas, vítimas de violência e de tráficos ilícitos. Demasiadas são hoje as crianças exiladas, refugiadas, por vezes afundadas nos mares, especialmente nas águas do Mediterrâneo. De tudo isto nos envergonhamos hoje diante de Deus, Deus que Se fez Menino.
E interrogamo-nos: Quem somos nós diante de Jesus Menino? Quem somos nós diante das crianças de hoje? Somos como Maria e José que acolhem Jesus e cuidam d’Ele com amor maternal e paternal? Ou somos como Herodes, que quer eliminá-Lo? Somos como os pastores, que se apressam a adorá-Lo prostrando-se diante d’Ele e oferecendo-Lhe os seus presentes humildes? Ou então ficamos indiferentes? Por acaso limitamo-nos à retórica e ao pietismo, sendo pessoas que exploram as imagens das crianças pobres para fins de lucro? Somos capazes de permanecer junto delas, de «perder tempo» com elas? Sabemos ouvi-las, defendê-las, rezar por elas e com elas? Ou negligenciamo-las, preferindo ocupar-nos dos nossos interesses?
«Isto nos servirá de sinal: encontrareis um menino…». Talvez aquela criança chore! Chora porque tem fome, porque tem frio, porque quer colo... Também hoje as crianças choram (e choram muito!), e o seu choro interpela-nos. Num mundo que descarta diariamente toneladas de alimentos e remédios, há crianças que choram, sem ser preciso, por fome e doenças facilmente curáveis. Num tempo que proclama a tutela dos menores, comercializam-se armas que acabam nas mãos de crianças-soldado; comercializam-se produtos confeccionados por pequenos trabalhadores-escravos. O seu choro é sufocado: o choro destes meninos é sufocado! Têm que combater, têm que trabalhar, não podem chorar! Mas choram por elas as mães, as Raquéis de hoje: choram os seus filhos, e não querem ser consoladas (cf. Mt 2, 18).
«Isto vos servirá de sinal»: encontrareis um menino. O Menino Jesus nasceu em Belém, cada criança que nasce e cresce em qualquer parte do mundo é sinal de diagnóstico, que nos permite verificar o estado de saúde da nossa família, da nossa comunidade, da nossa nação. Deste diagnóstico franco e honesto, pode brotar um novo estilo de vida, onde as relações deixem de ser de conflito, de opressão, de consumismo, para serem relações de fraternidade, de perdão e reconciliação, de partilha e de amor.
Ó Maria, Mãe de Jesus,
Vós que acolhestes, ensinai-nos a acolher;
Vós que adorastes, ensinai-nos a adorar;
Vós que acompanhastes, ensinai-nos a acompanhar. Amen.

A Sagrada Família e a virtude da laboriosidade.

O crescimento de Jesus “em sabedoria, em estatura e em graça” (Lc 2,52), deu-se no âmbito da Sagrada Família, sob o olhar de São José, que tinha a alta função de o “criar”; ou seja, de alimentar, vestir e instruir Jesus na Lei e num ofício, em conformidade com os deveres estabelecidos para o pai. Por sua parte, Jesus “era-lhes submisso” (Lc 2,51), correspondendo com o respeito às atenções dos seus “pais”. Dessa forma quis santificar os deveres da família e do trabalho, que ele próprio executava ao lado de José.
(São João Paulo II, Papa, Exortação Apostólica Redemptoris Custos, 16)

A Sagrada Família constitui-se um notável exemplo de simplicidade. Como disse São José Marello: “Os grandes santos atingiram sua santidade não tanto por pela prática de virtudes extraordinárias, para as quais as ocasiões são muito raras, mas com os atos repetidos e incessantes das pequenas virtudes”. Vejamos:

O grão de mostarda é considerado a menor das sementes semeadas na horta, e no entanto, ela se desenvolve a ponto de se tornar uma grande e bela árvore. Por esta razão ela representa bem as pequenas virtudes, as quais podem produzir uma grande santidade. De fato, os grandes santos atingiram sua santidade não tanto por pela prática de virtudes extraordinárias, para as quais as ocasiões são muito raras, mas com os atos repetidos e incessantes das pequenas virtudes. Assim, São José não fez coisas extraordinárias; mas com a prática constante de virtudes ordinárias e comuns atingiu aquela santidade que o eleva muito além de todos os outros santos. Também Jesus não realizou sempre atos extraordinários e heróicos, como o afastamento da mãe e a morte de cruz. Mas quantos atos de virtude Ele fez e quanto mereceu! (São José Marello).

Aprendamos com São José Marello que “a prática constante” de “virtudes ordinárias e comuns”, é capaz de produzir no ambiente familiar, no mundo do trabalho e em nossas comunidades, resultados surpreendentes. Mas, quais são estas virtudes? Entre tantas, o Papa Bento XVI destacou três virtudes da Sagrada Família que devem ser cultivadas para que tenhamos famílias realizadas e felizes. Vejamos:

"Para ajudar as famílias, vos exorto a propor-lhes, com convicção, as virtudes da Sagrada Família: a oração, pedra angular de todo lar fiel à sua própria identidade e missão; a laboriosidade, eixo de todo o matrimônio maduro e responsável; o silêncio, cimento de toda a atividade livre e eficaz. Desse modo, encorajo os vossos sacerdotes e os centros pastorais das vossas dioceses a acompanhar as famílias, para que não sejam iludidas e seduzidas por certos estilos de vida relativistas, que as produções cinematográficas e televisivas e outros meios de informação promovem" (Papa Bento XVI, 25/09/2009)

Mas, como podemos definir a virtude da laboriosidade? Segundo um olhar simplesmente humano, podemos afirmar que a laboriosidade é virtude de realizar uma tarefa, trabalhando muito e com dedicação. O sentido cristão de laboriosidade, entretanto é bem mais rico: “trata-se, em última análise, da santificação da vida quotidiana” e de um modo “humilde e maduro de servir”, como ensinou o Papa Santo João Paulo II.

Nesta Semente Josefina não nos deteremos em explicações e análises, mas em olhar para o exemplo da Sagrada Família e aprender com eles. Como afirmou o Papa Bento XVI, a laboriosidade é o eixo de todo o matrimônio maduro e responsável. E assim aconteceu com a Sagrada Família. Vejamos alguns ensinamentos que nos ajudarão a entender melhor esta importante virtude:

Cuidemos de santificar as pequenas coisas: um pequeno ato de paciência ou de caridade, acompanhado de reta intenção, adquire um imenso valor aos olhos de Deus. São José não fez coisas extraordinárias; mas com a prática constante de virtudes ordinárias e comuns atingiu aquela santidade que o eleva muito além de todos os outros santos. (São José Marello)
Admiremos a diligência de Maria nas Bodas de Caná: ela está toda atenta em cuidar para que tudo corra bem, que todos sejam bem servidos e bem atendidos e não falte nada a ninguém. Esta amorosa atenção de Maria é imagem de seu cuidado espiritual com que ele vela sobre nossas almas para descobrir as necessidades e faltas e providenciar a tempo. (São José Marello)
O crescimento de Jesus “em sabedoria, em estatura e em graça” (Lc 2,52), deu-se no âmbito da Sagrada Família, sob o olhar de São José, que tinha a alta função de o “criar”; ou seja, de alimentar, vestir e instruir Jesus na Lei e num ofício, em conformidade com os deveres estabelecidos para o pai. No Sacrifício eucarístico a Igreja venera “a memória da gloriosa sempre Virgem Maria ... e também a de São José”, porque foi quem “sustentou Aquele que os fiéis deviam comer como Pão de vida eterna”. Por sua parte, Jesus “era-lhes submisso” (Lc 2,51), correspondendo com o respeito às atenções dos seus “pais”. Dessa forma quis santificar os deveres da família e do trabalho, que ele próprio executava ao lado de José. (São João Paulo II)
A expressão quotidiana deste amor na vida da Família de Nazaré é o trabalho. O texto evangélico especifica o tipo de trabalho, mediante o qual José procurava garantir a sustentação da Família: o trabalho de carpinteiro. Esta simples palavra envolve toda a extensão da vida de José. (São João Paulo II)
No crescimento humano de Jesus “em sabedoria, em estatura e em graça” teve uma parte notável a virtude da laboriosidade, dado que “o trabalho é um bem do homem”, que “transforma a natureza” e torna o homem, “em certo sentido, mais homem”. (São João Paulo II)
Trata-se, em última análise, da santificação da vida quotidiana, no que cada pessoa deve empenhar-se, segundo o próprio estado, e que pode ser proposta apontando para um modelo acessível a todos: “São José é o modelo dos humildes, que o Cristianismo enaltece para grandes destinos; ... é a prova de que para ser bons e autênticos seguidores de Cristo não se necessitam ‘grandes coisas’, mas requerem-se somente virtudes comuns, humanas, simples e autênticas”. (São João Paulo II)
“A figura de São José nos remete à dignidade e importância do trabalho, pois foi com seu pai adotivo que Jesus aprendeu a trabalhar. De fato, o trabalho enche o homem de dignidade e, em certo sentido, o assemelha a Deus que, como se lê na Bíblia, “trabalha sempre” (cf. Jo 5,17). Isso nos leva a pensar em tantas pessoas que se encontram desempregadas, muitas vezes por causa de uma concepção econômica que busca somente o lucro egoísta. Também São José teve de enfrentar momentos difíceis, saindo vencedor pela confiança em Deus que nunca nos abandona. (Papa Francisco, 01/05/2013).
“Se, às semelhanças do grande Patriarca São José você tivesse que servir Jesus nos trabalhos modestos e inferiores ao de São Pedro pensaria que o humilde Guarda de Jesus está mais alto no Céu que o grande apóstolo”. (São José Marello)
Fonte: Centro de Espiritualidade Josefino-Marelliana - Sementes Josefinas. 

São José, pai de Jesus e companheiro na fé

São José, pai de Jesus e companheiro na fé 
Igreja dedica cada vez mais espaço ao reconhecimento 
do esposo de Maria como modelo de vida


Por Leonardo Meira


José. Não é preciso pensar muito para lembrar logo de alguém que carregue esse nome. Mas há um homem, em especial, com história singular, repleta da confiança em Deus e no despojamento de si em prol de um acontecimento que transformou a história da humanidade: São José, o carpinteiro, esposo de Maria e pai de Jesus.
Uma das decisões recentes que apontam o interesse da Igreja Católica em destacar o papel de José na história da salvação foi tomada em 1º de maio do ano passado. Com o aval do Papa Francisco, um decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, organismo do Vaticano, inseriu o nome de São José nas Orações Eucarísticas II, III e IV – textos recitados durante a Missa. Já o Papa João XXIII havia inserido o nome do santo no cânon Romano – uma das mais antigas orações litúrgicas – e o Papa Emérito Bento XVI, frente aos numerosos pedidos de diversos lugares do mundo para essa inclusão, pensava em fazer aquilo que Francisco concretizou.
"Trata-se de um enriquecimento nas celebrações. Se todos os santos intercedem por nós junto a Deus e foram servidores de Cristo aqui na terra, com muito mais razão o é São José como pai, educador, protetor e nutridor de Jesus e no céu como Protetor da Igreja. A inclusão do nome de São José nessas Orações Eucarísticas representa que seu nome será mais lembrado e sua missão mais valorizada, pois é preciso lembrar também a sua função no plano da Salvação como chefe da Sagrada Família e esposo da Mãe de Deus, verdade muitas vezes esquecida na missão deste fascinante santo”, destaca o especialista na teologia de São José – chamada de "josefologia” – padre José Antonio Bertolin.


Como chamar José?

Os josefólogos procuram classificar a paternidade de José com vários qualificativos, como "pai virginal”, "pai nutrício”, "pai matrimonial”, "pai legal”, "pai putativo”, entre outros. Uma vez que esses títulos não expressam tudo o que está contido nessa paternidade, a dica é ficar com aquilo que dizem os evangelhos, ou seja: José é o pai de Jesus. É o que indica João, ao falar de Jesus como "filho de José de Nazaré” (1, 45), ou "o filho de José, de quem conhecemos o pai e a mãe” (6, 42). Também Mateus identifica Jesus como o "filho do carpinteiro”(13, 55). E Lucas como "o filho de José” (4, 22); "filho, segundo se pensava, de José”(3, 23).
"A paternidade de José é nova, única e singular, de ordem superior à paternidade natural e adotiva. Não procede da geração segundo a natureza física, mas é fundamentada sobre um vínculo moral, jurídico e espiritual. Mas isso não significa que seja uma paternidade metafórica ou de ‘faz-de-conta’. Esse vínculo é tão verdadeiro e excepcional que não se pode encontrar outro desse tipo no gênero humano”, explica padre Bertolin.
O Beato João Paulo II, na Exortação Apostólica Redemptoris Custos, explica que a paternidade de José não é "aparente” ou "substitutiva”, mas dotada plenamente da autenticidade da paternidade humana, da autenticidade da missão paterna na família. Embora não seja pai pela carne, o é pelo amor. "O filho de Maria é também filho de José, em virtude do vínculo matrimonial que os une: ‘Por motivo daquele matrimônio fiel, ambos mereceram ser chamados pais de Cristo, não apenas a Mãe, mas também aquele que era seu pai, do mesmo modo que era cônjuge da Mãe, uma e outra coisa por meio da mente e não da carne’. Neste matrimônio não faltou nenhum dos requisitos que o constituem: ‘Naqueles pais de Cristo realizaram-se todos os bens das núpcias: a prole, a fidelidade e o sacramento. Conhecemos a prole, que é o próprio Senhor Jesus; a fidelidade, porque não houve nenhum adultério; e o sacramento, porque não se deu nenhum divórcio” (n. 7).



São José "permaneceu durante séculos e séculos em seu característico apagamento, um pouco como figura de ornamento no quadro da vida do Senhor. E foi necessário tempo até que seu culto passasse dos olhos aos corações dos fiéis e despertasse neles singular fervor de oração e abandono confiante”. É o que diz o Papa João XXIII na Carta Apostólica Le Voci.
De fato, o tempo passou e são muitos os fiéis que têm histórias de devoção ao santo, pai de Jesus. Conheça dois desses relatos.

  Pai amoroso

"São José sempre foi para mim um pai amoroso, que fez e faz muito mais que eu ousaria pedir”.
A devoção do engenheiro eletricista Valdivino Simões da Silva começou quando, aos oito anos, mudou-se com a família para Apucarana, no Paraná. Lá, passou a frequentar uma paróquia dedicada ao santo, e o exemplo da devoção de um dos padres do lugar ecoou no jovem.
"Parece um paradoxo, mas São José é tão generoso comigo que o tenho como um pai. Aprendi a recorrer a ele sempre, em todas as causas, mas também aprendi que não preciso recorrer em nenhuma, pois São José tudo pode perante seu Filho Jesus e, mesmo que eu não mereça nem esteja à altura de tão grande bondade, São José me ama e cuida de mim como um filho”, explica.
O devoto tem até blogs na internet para propagar a devoção. No dia a dia, as práticas de piedade incluem "visitas ao Santíssimo na companhia de São José”, oração do Terço de São José, intercessão por quem pede oração e, além disso, ler e escrever sobre o santo a quem chama de pai.
Para Valdivino, a devoção a São José, se praticada de modo maduro, "constitui-se num modo simples e eficiente de se viver a vida cristã. A verdadeira devoção ao Santo Casal constitui-se no mais completo e sublime modelo para a vivência do ‘pequeno caminho’, uma proposta de vida cada vez mais necessária para a humanidade reencontrar-se com o ser Criador e Redentor e, portanto, ser plenamente feliz e realizada”, acredita.

 Reflexo e complemento de Maria

Ita, devota de São José: "quem vem pela primeira vez à minha casa, recebe sempre uma plaquinha de São José para colocar na porta"A baiana Maria do Perpétuo Socorro Moraes Correia, mais conhecida como Ita, não tem dúvidas: a devoção a José também pode dar mais qualidade à devoção mariana, à adoração a Deus e ao seguimento a Jesus. "Não há José sem Maria! Não há Maria sem José! Não consigo olhar para um sem ver o rosto do outro. A mim, emociona muito pensar que Deus também me confiou àquele a quem confiou Jesus e Maria, seus maiores tesouros”.
As raízes da devoção encontram-se na história da família, natural de região afetada pela seca, no interior da Bahia, onde havia devoção muito grande a São José. "Sempre que voltávamos lá, visitar a Capelinha de São José era a ‘obrigação’ primeira da viagem. Depois, ainda adolescente, me ‘enamorei’ por São José. Foi assim que nasceu em mim uma grande admiração pelo santo. Sobretudo pela atitude que teve para com Maria ao ‘descobrir’ a gravidez... Tão divino e tão humano!”, exclama.
A imagem de São José, entronizada na casa de Ita, ao lado do ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: "Não há José sem Maria, nem Maria sem José!"
E até a casa dela, em Salvador,  é "josefina”. Ita considera o imóvel uma das tantas graças recebidas pela intercessão do santo. Por isso, deu logo um jeito de entronizar uma imagem em lugar de destaque. E, no dia 19 de cada mês, reúne vizinhos, moradores, familiares e amigos para o "café de São José”. No encontro, reza-se o Terço de São José, seguido de um café partilhado. "Quem vem pela primeira vez, recebe sempre uma plaquinha de São José para colocar na porta de casa. E, assim, vou tentando contagiar e alcançar aqueles que encontro pelo caminho, na esperança de apresentá-los a São José, para que ele, com Maria, os apresente a Jesus!”, conclui.

 História e devoção
Os estudos sobre São José foram praticamente nulos nos primeiros séculos do cristianismo. Foi a partir do século XIII que o santo passou a ser considerado nas reflexões dos teólogos, e no século XVI brotaram reflexões mais sistemáticas, o que levou também ao aumento da devoção.
Se o mês de maio é dedicado a Nossa Senhora e, em junho, o Coração de Jesus ganha destaque, a recordação especial de São José no mês de março também tem motivações históricas. De acordo com o especialista em josefologia, padre José Antonio Bertolin, essa escolha foi impulsionada com a publicação, em 1810, em Roma, do livro O mês de março consagrado ao glorioso Patriarca São José, esposo da Virgem Maria para obter o seu patrocínio na vida e na morte. Quem se ocupou com a edição da obra em maior tiragem, em 1844, foi São Gaspar Bertoni.
Essa prática foi aprovada pelos papas. Foi o que fez Pio IX, em 1877, permitindo que as celebrações começassem em 16 ou 17 de fevereiro e terminassem em 19 de março, dia da festa litúrgica do santo. E Leão XIII, na encíclica Quamquam pluries, de 15 de agosto de 1889, recomenda aos cristãos ao menos um tríduo de oração por ocasião da festa. Recomendações à devoção também foram feitas por Bento XV, João XXIII e pelos pontífices mais atuais, de João Paulo II a Francisco.
Já a dedicação de um dia da semana – quarta-feira – ao santo encontra suas raízes no século XXVII, também na Europa. Uma série de religiosos propunha práticas nesse sentido. Foi o que fez, em 1645, o carmelitano francês Antonie de La Mère de Dieu; em 1676, o carmelitano belga Ignace de Saint-François; e, em 1700, Madre Marie-Marguerite de Valbelle. Práticas que foram consolidadas com o incentivo dos papas, especialmente por meio da concessão de indulgências*, como fez Inocêncio XII, em 1695, aos membros da Confraria de São José que visitassem na quarta-feira a igreja dos carmelitanos descalços em Bruxelas. Já Pio VII, em 1819, concedia indulgência para todas as quartas-feiras do ano a quem rezasse nestes dias as Dores e Alegrias de São José. Até que, em 5 de julho de 1883, o papa Leão XIII confirmava a quarta-feira como dia de São José em toda a Igreja, com missa votiva (dedicada ao santo) correspondente.
Após o Concílio Vaticano I, em 8 de dezembro de 1870, São José foi proclamado Patrono da Igreja pelo Papa Pio IX – o mesmo que proclamou o dogma da Imaculada Conceição, em 1854. E no século 20, o pai de Jesus foi proclamado por João XXIII patrono do Concílio Vaticano II, que construiu trilhas para a caminhada da Igreja no mundo contemporâneo.
Além da missa e comunhão, com que costumam honrar o santo, os fiéis também têm algumas orações e devoções particulares. Aí se inclui a Coroa de São José, Oração dos Sete Privilégios de São José, Devoção dos Sete domingos em honra de São José (dedicados em honra e veneração das sete principais dores e sete gozos que teve São José durante sua vida mortal).
  
* Segundo a doutrina católica, embora o sacramento da Penitência (Confissão) perdoe a culpa do pecado, resta a pena temporal exigida pela Justiça divina, que deve ser "paga” na vida terrestre ou no purgatório. A indulgência oferece ao pecador penitente os meios para "quitar” esta dívida durante sua vida na terra, reparando o mal que teria sido cometido pelo pecado.


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São José, Pai e Senhor

No dia 19 de março é a festa de S. José. Reunimos textos de S. Josemaria para falar com Deus de José, Apresentamos também os textos em pdf para os descarregar e poder rezar em qualquer lugar.
São José, Pai de Cristo, é também teu Pai e teu Senhor. - Recorre a Ele.
Caminho, 559

O nosso Pai e Senhor São José é Mestre da vida interior. - Põe-te sob o seu patrocínio e sentirás a eficácia do seu poder.
Caminho, 560

De São José diz Santa Teresa, no livro da sua vida: "Quem não achar Mestre que Ihe ensine a orar, tome este glorioso Santo por mestre, e não errará no caminho". - O conselho vem de uma alma experimentada. Segue-o.
Caminho, 561

Pede à tua Mãe Maria, a S. José, ao teu Anjo da Guarda..., que falem a Nosso Senhor, dizendo-lhe o que tu, pela tua falta de jeito, não sabes exprimir.
Forja, 272

São José: não se pode amar Jesus e Maria sem amar o Santo Patriarca.
Forja, 551

Vê quantos motivos para venerar S. José e para aprender da sua vida: foi um varão forte na fé...; sustentou a sua família - Jesus e Maria - com o seu trabalho esforçado...; guardou a pureza da Virgem, que era sua Esposa...; e respeitou - amou! - a liberdade de Deus que fez a escolha, não só da Virgem como Mãe, mas também dele como Esposo de Santa Maria.
Forja, 552

S. José, nosso Pai e Senhor, castíssimo, limpíssimo, que mereceste trazer Jesus Menino nos teus braços, e lavá-lo e abraçá-lo: ensina-nos a tratar o nosso Deus, a ser limpos, dignos de ser outros Cristos. E ajuda-nos a fazer e a ensinar, como Cristo, os caminhos divinos - ocultos e luminosos -, dizendo aos homens que podem, na terra, ter continuamente uma eficácia espiritual extraordinária.
Forja, 553

Ama muito S. José, quer-lhe com toda a tua alma, porque é a pessoa que, com Jesus, mais amou Santa Maria e quem mais conviveu com Deus: quem mais o amou, depois da Nossa Mãe. Merece o teu carinho e convém-te dar-te com ele, porque é Mestre de vida interior e pode muito ante Nosso Senhor e ante a Mãe de Deus.
Forja, 554

Se fraquejarmos, recorreremos ao amor de Santa Maria, Mestra de oração; e a S. José, Pai e Senhor nosso, a quem tanto veneramos, que é quem mais intimamente privou neste mundo com a Mãe de Deus e - depois de Santa Maria - com o seu Filho Divino. E eles apresentarão a nossa debilidade a Jesus, para que Ele a converta em fortaleza.
Amigos de Deus, 255

A Igreja inteira reconhece S. José como seu protector e padroeiro. Ao longo dos séculos tem-se falado dele, sublinhando diversos aspectos da sua vida, sempre fiel à missão que Deus lhe confiara. Por isso, desde há muitos anos, me agrada invocá-lo com um título carinhoso: Nosso Pai e Senhor.
S. José é realmente Pai e Senhor, protegendo e acompanhando no seu caminho terreno aqueles que o veneram, como protegeu e acompanhou Jesus enquanto crescia e se fazia homem. Ganhando intimidade com ele descobre-se que o Santo Patriarca é, além disso, Mestre da vida interior, porque nos ensina a conhecer Jesus, a conviver com Ele, a tomar consciência de que fazemos parte da família de Deus. E S. José dá-nos essas lições sendo, como foi, um homem corrente, um pai de família, um trabalhador que ganhava a vida com o esforço das suas mãos. Este facto possui também, para nós, um significado que é motivo de reflexão e de alegria.
Cristo que passa, 39


A figura de S. José no Evangelho

Tanto S. Mateus como S. Lucas nos falam de S. José como varão descendente de uma estirpe ilustre: a de David e de Salomão, reis de Israel. Historicamente, os pormenores dessa descendência são algo confusos. Não sabemos qual das duas genealogias que os evangelistas trazem corresponde a Maria - Mãe de Jesus, segundo a carne - e qual a S. José, que era seu Pai segundo a lei judaica. Nem sabemos se a cidade natal de José era Belém, onde se dirigiu para se recensear, ou Nazaré, onde vivia e trabalhava.

Sabemos, no entanto, que não era uma pessoa rica; era um trabalhador como milhões de homens no mundo. Exercia o ofício fatigante e humilde que Deus escolheu também para Si quando tomou a nossa carne e viveu trinta anos como uma pessoa mais entre nós.

A Sagrada Escritura diz que José era artesão. Vários Padres acrescentam que foi carpinteiro. S. Justino, falando da vida de trabalho de Jesus, afirma que fazia arados e jugos. Baseando-se talvez nestas palavras, Santo Isidoro de Sevilha concluiu que José era ferreiro. De qualquer modo era um operário que trabalhava ao serviço dos seus concidadãos, que tinha uma habilidade manual, fruto de anos de esforço e de suor.

Das narrações evangélicas depreende-se a grande personalidade humana de S. José: em nenhum momento nos aparece como um homem diminuído ou assustado perante a vida; pelo contrário, sabe enfrentar-se com os problemas, superar as situações difíceis, assumir com responsabilidade e iniciativa os trabalhos que lhe são encomendados.

Não estou de acordo com a forma clássica de representar S. José como um homem velho, apesar da boa intenção de se destacar a perpétua virgindade de Maria. Eu imagino-o jovem, forte, talvez com alguns anos mais do que a Virgem, mas na pujança da vida e das forças humanas.

Para viver a virtude da castidade não é preciso ser-se velho ou carecer de vigor. A castidade nasce do amor; a força e a alegria da juventude não constituem obstáculo para um amor limpo. Jovem era o coração e o corpo de S. José quando contraiu matrimónio com Maria, quando conheceu o mistério da sua Maternidade Divina, quando vivei junto d'Ela respeitando a integridade que Deus lhe queria oferecer ao mundo como mais um sinal da sua vinda às criaturas. Quem não for capaz de compreender um amor assim conhece muito mal o verdadeiro amor e desconhece por completo o sentido cristão da castidade.
Cristo que passa, 40

José era efectivamente um homem corrente, em quem Deus confiou para realizar coisas grandes. Soube viver exactamente como o Senhor queria todos e cada um dos acontecimentos que compuseram a sua vida. Por isso, a Sagrada Escritura louva José, afirmando que era justo. E, na língua hebreia, justo quer dizer piedoso, servidor irrepreensível de Deus, cumpridor da vontade divina; outras vezes significa bom e caritativo para com o próximo.
Numa palavra, o justo é o que ama a Deus e demonstra essa amor, cumprindo os seus mandamentos e orientando toda a sua vida para o serviço dos seus irmãos, os homens.
Cristo que passa, 40

José abandonou-se sem reservas nas mãos de Deus, mas nunca deixou de reflectir sobre os acontecimentos, e assim recebeu do Senhor a inteligência das obras de Deus, que é a verdadeira sabedoria. Deste modo, aprendeu a pouco e pouco que os planos sobrenaturais têm uma coerência divina, que às vezes está em contradição com os planos humanos.
Nas diversas circunstâncias da sua vida, o Patriarca não renuncia a pensar, nem se alheia da sua responsabilidade. Pelo contrário: põe toda a sua experiência humana ao serviço da fé. Quando volta do Egipto, ouvindo que Arquelau reinava na Judeia em vez de seu pai Herodes, temeu ir para lá. Aprendeu a mover-se dentro dos planos divinos e, como confirmação de que Deus quer o que ele pressentia, recebe a indicação de se retirar para a Galileia.
Assim foi a fé de S. José: plena, confiante, íntegra, manifestando-se numa entrega real à vontade de Deus, numa obediência inteligente. E, com a Fé, a Caridade, o Amor. A sua fé funde-se com o amor: com o amor de Deus, que estava a cumprir as promessas feitas a Abraão, a Jacob, a Moisés; com o carinho de esposo para com Maria e com o carinho de pai para com Jesus. Fé e amor da esperança da grande missão que Deus, servindo-se também dele - um carpinteiro da Galileia - estava a começar no mundo: a redenção dos homens.
Cristo que passa, 42

Fé, amor, esperança: estes são os eixos em torno dos quais gira a vida de S. José e toda a vida cristã. A entrega de S. José aparece-nos tecida pelo entrecruzamento de um Amor fiel, de uma Fé amorosa e de uma Esperança confiante. A sua festa é, por isso, uma boa altura para renovarmos a entrega à vocação de cristãos, concedida pelo Senhor a cada um de nós.
Cristo que passa, 43

Em Nazaré José era um dos poucos artesãos da terra, se não era o único. Possivelmente, carpinteiro. E, como é costume nas pequenas povoações, também era capaz de fazer outras coisas: pôr a funcionar um moinho que não funcionava ou arranjar, antes do inverno, as fendas de um tecto. José tirava muita gente de apuros, certamente com um trabalho bem acabado.
O seu trabalho profissional era uma ocupação orientada para o serviço, para tornar agradável a vida das outras famílias da aldeia, acompanhada de um sorriso, de uma palavra amável, de um comentário feito como que de passagem, mas que devolve a fé e a alegria a quem está a ponto de perdê-las.
Cristo que passa, 51

José foi, no aspecto humano, mestre de Jesus; conviveu com Ele diariamente, com carinho delicado, e cuidou dele com abnegação alegre. Não será esta uma boa razão para considerarmos este varão justo, este Santo Patriarca, no qual culmina a Fé da Antiga Aliança, Mestre de vida interior? A vida interior não é outra coisa senão o convívio assíduo e intimo com Cristo, para nos identificarmos com Ele. E José saberá dizer-nos muitas coisas sobre Jesus. Por isso, não deixeis nunca de conviver com ele; ite ad Joseph, como diz a tradição cristã com uma frase tomada do Antigo Testamento.
Mestre da vida interior, trabalhador empenhado no seu trabalho, servidor fiel de Deus em relação contínua com Jesus: este é José. Ite ad Joseph. Com S. José o cristão aprende o que é ser Deus e estar plenamente entre os homens, santificando o mundo. Ide a José e encontrareis Jesus. Ide a José e encontrareis Maria, que encheu sempre de paz a amável oficina de Nazaré.
Cristo que passa, 56


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Olhemos para José como o modelo do educador (Papa Francisco)

PAPA FRANCISCO
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 19 de Março de 2014

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje, 19 de Março, celebramos a festa solene de são José, Esposo de Maria e Padroeiro da Igreja universal. Por conseguinte, dedicamos esta catequese a ele, que merece todo o nosso reconhecimento e a nossa devoção, pelo modo como ele soube proteger a Virgem Santa e o Filho Jesus. O ser guardião é a característica de são José: é a sua grande missão, ser guardião, como eu recordava precisamente há um ano.

Hoje, gostaria de retomar o tema da protecção, a partir de uma perspectiva particular: a perspectiva da educação. Olhemos para José como o modelo do educador, que protege e acompanha Jesus no seu caminho de crescimento, «em sabedoria, idade e graça», como reza o Evangelho de Lucas (2, 52). Ele era o pai de Jesus: o pai de Jesus era Deus, mas ele desempenhava o papel de pai de Jesus, era pai de Jesus para o fazer crescer. E como o fez crescer? Em sabedoria, idade e graça. E podemos procurar utilizar precisamente estas três palavras — sabedoria, idade e graça — como uma base para a nossa reflexão.

Comecemos pela idade, que constitui a dimensão mais natural, o crescimento físico e psicológico. Juntamente com Maria, José cuidava de Jesus antes de tudo a partir deste ponto de vista, ou seja, «criou-o», preocupando-se a fim de que não lhe faltasse o necessário para um desenvolvimento sadio. Não esqueçamos que a tutela cheia de esmero da vida do Menino comportou também a fuga para o Egipto, a dura experiência de viver como refugiados — José foi um refugiado, juntamente com Maria e Jesus — para fugir da ameaça de Herodes. Depois, quando voltaram para a pátria, estabelecendo-se em Nazaré, há outro período da vida escondida de Jesus na sua família, no seio da Sagrada Família. Naqueles anos, José ensinou a Jesus também o seu trabalho, e Jesus aprendeu a profissão de carpinteiro, juntamente com o seu pai José. Foi assim que José educou Jesus, a tal ponto que, quando era adulto, lhe chamavam «o filho do carpinteiro» (Mt 13, 55).

Passemos à segunda dimensão da educação de Jesus, a da «sabedoria». Diz a Escritura que o princípio da sabedoria é o temor do Senhor (cf. Pr 1, 7; Eclo 1, 14). Temor não tanto no sentido de medo, mas de respeito sagrado, de adoração e de obediência à sua vontade, que procura sempre o nosso bem. José foi para Jesus exemplo e mestre desta sabedoria, que se alimenta da Palavra de Deus. Podemos pensar no modo como José educou o pequeno Jesus a ouvir as Sagradas Escrituras, principalmente acompanhando-o aos sábados à sinagoga de Nazaré. E José acompanhava-o para que Jesus ouvisse a Palavra de Deus na sinagoga. E a prova da escuta profunda de Jesus em relação a Deus, José e Maria tiveram-na — de uma maneira que os surpreendeu — quando ele, com doze anos, permaneceu no templo de Jerusalém sem que eles o soubessem; e encontraram-no depois de três dias, enquanto dialogava com os doutores da lei, os quais ficaram admirados com a sua sabedoria. Eis: Jesus está repleto de sabedoria, porque é o Filho de Deus, mas o Pai celeste valeu-se da colaboração de são José, a fim de que o seu Filho pudesse crescer «cheio de sabedoria» (Lc 2, 40).

E por fim, a dimensão da «graça». Diz ainda são Lucas, referindo-se a Jesus: «A graça de Deus estava sobre Ele» (2, 40). Aqui, certamente a parte reservada a são José é mais limitada do que aos âmbitos da idade e da sabedoria. Todavia, seria um erro grave pensar que um pai e uma mãe nada podem fazer para educar os filhos a crescer na graça de Deus. Crescer em idade, crescer em sabedoria, crescer em graça: este é o trabalho que José levou a cabo em relação a Jesus: fazê-lo crescer nestas três dimensões, ajudá-lo a crescer. José fê-lo de um modo verdadeiramente único, insuperável. Com efeito, ele tinha desposado a mulher «cheia de graça» (Lc 1, 28), e sabia bem que Jesus tinha sido concebido por obra do Espírito Santo. Portanto, neste campo da graça, a sua obra educativa consistia em secundar a obra do Espírito no coração e na vida de Jesus, em sintonia com Nossa Senhora. Este âmbito educativo é o mais específico da fé, da oração, da adoração e da aceitação da vontade de Deus e do seu desígnio. Também e sobretudo nesta dimensão da graça, José educou Jesus primariamente com o exemplo: o exemplo de um «homem justo» (Mt 1, 19), que se deixa sempre guiar pela fé, e sabe que a salvação não deriva da observância da lei, mas da graça de Deus, do seu amor e da sua fidelidade.

Queridos irmãos e irmãs, a missão de são José é sem dúvida única e irrepetível, porque Jesus é absolutamente único. E todavia, protegendo Jesus, educando-o a crescer em idade, sabedoria e graça, ele constitui um modelo para cada educador, em especial para cada pai. São José é o modelo do educador e do pai. Portanto, confio à sua salvaguarda todos os pais, os sacerdotes — que são pais — e aqueles que desempenham uma tarefa educativa na Igreja e na sociedade. De modo especial, gostaria de saudar hoje, dia dos pais, todos os pais: saúdo-vos de coração! Vejamos: há pais na praça? Pais, erguei a mão! Mas quantos pais! Parabéns, parabéns a vós neste vosso dia! Peço para vós a graça de permanecer sempre muito próximos dos vossos filhos, deixando-os crescer, mas próximos, próximos! Eles têm necessidade de vós, da vossa presença, da vossa proximidade e do vosso amor. Sede para eles como são José: guardiões do seu crescimento em idade, sabedoria e graça. Guardiões do seu caminho, educadores; e caminhai com eles. E com esta proximidade, sereis verdadeiros educadores. Obrigado por tudo aquilo que vós fazeis pelos vossos filhos: obrigado! Muitas felicitações a vós, e boa festa dos pais a todos os pais que estão aqui presentes, a todos os pais. Que são José vos abençoe e vos acompanhe. E alguns de nós perderam o pai, que já partiu porque o Senhor o chamou; muitas pessoas que estão na praça não têm pai. Podemos rezar por todos os pais do mundo, pelos pais vivos e também por aqueles defuntos, e pelos nossos pais; e podemos fazê-lo juntos, cada qual recordando o seu próprio pai, quer esteja vivo quer já tenha falecido. E oremos ao grande Pai de todos nós, o Pai. Um «Pai-Nosso» pelos nossos pais: Pai nosso...
E muitos parabéns aos pais!

Saudação
Dou as boas-vindas a todos os peregrinos de língua portuguesa, nominalmente aos brasileiros da Diocese de Botucatu, e confio à proteção de São José todos os educadores, em particular os pais, para que, com o seu exemplo, ajudem os mais jovens a crescerem em sabedoria, estatura e graça. Que Deus vos abençoe!

Crer, entender e fazer como José

jose 01 Crer, entender e fazer como José

Pe. Mauro Negro, OSJ
No limiar da Solenidade de nosso Santo Patriarca e inspiração carismática, São José, desejo partilhar com os irmãos de caminhada dois ou três pensamentos que tenho alimentado nos últimos tempos e o faço com simplicidade e real humildade, reconhecendo que, como todos, estou também à procura da coerência de identidade e vida. Tratam-se do fruto de reflexões feitas em ambientes acadêmicos, pastorais e no silêncio de algumas madrugadas insones.
[1] O tão conhecido relato da anunciação a José, em Mateus 1,18–25, que amanhã, dia 19 e março, iremos propor aos nossos fiéis, apresenta a afirmação: José, ao despertar do sono, agiu conforme o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu em casa sua mulher (versículo 24). Admito que, embora tenha analisado em outras circunstâncias esta perícope de Mateus, nunca me detive neste versículo que parecia-me mais consequência da comunicação angelical ao nosso Patriarca. Mas agora o versículo parece-me mais do que uma consequência: é a declaração da Fé que animava nosso Modelo de vida.
José “desperta” do sono, não com o torpor dos sonolentos, com o susto dos desavisados ou desligados, ou ainda com a ansiedade dos atrasados. Ele desperta com a consciência dos justos, pois é isto que ele era: “justo”, como Mateus indica no versículo 19. Este “despertar” indica a decisão do homem de Fé.
Infelizmente, no meu modesto modo de ver, não aproveitamos adequadamente o kairós do Ano da Fé que Bento XVI sabiamente propôs com a intenção criar ânimo para a caminhada cristã, pois a Fé é o específico que podemos oferecer ao mundo, além do compromisso com a História e quem a faz. Neste Ano da Fé deveríamos ter notado e feito notar que esta virtude não pode existir sem dois movimentos. Primeiro, a vontade de crer, seguido do entendimento. Credo ut intelligam dizia e propunha Agostinho — creio para entender, pois somente dispondo-me a aceitar algo além de mim mesmo é que poderei, em primeira pessoa, apreender o Mistério.
A primeira certeza que temos do relato mateano da anunciação é que José vivia, de antemão, a decisão de crer, o que o levou ao entendimento da comunicação angélica. E isto leva ao segundo ponto do versículo 24, que tem uma notável e decisiva importância na dinâmica da experiência original do advento do Mistério da Encarnação.
José “desperta” e, como num ato contínuo, recebe “em casa sua mulher”. E o faz ciente de que nela acontece o Mistério do Eterno pelo qual ele tem uma reverencia “humanamente infinita”. Note-se que José, ao contrário do que muitos pensam e uma conhecida música popular erroneamente indica[1], não é presa de um destino fatal e inegociável, uma espécie de vítima consciente do inevitável. Nada disto! No texto de Mateus ele é coerente com o que conhece de antemão; e conhece porque crê. Se não acreditasse não entenderia e, justamente por entender e crer, ele age.
Talvez a dificuldade em crer que muitos sentem, hoje e outros tempos, não está apenas no entendimento que o ato de Fé consciente e esclarecido provoca, inclusive contra muitas percepções que nos são impostas pela modernidade, que Zigmund Baumann chama de “líquida”[2]. A dificuldade em crer está, também, no fato de que a Fé exige um desprendimento de si, uma mudança não apenas conceitual, mas factual: trata-se de mudar o rumo, redefinir opções e metas em função do encontro provocado pela Fé e que ela mesma provoca. É o que os gregos chamavam e a Filosofia entende por kinesis.
É assim que José age pois tem Fé e entende o que está acontecendo em Maria, não sendo ignorante do Mistério do Deus vivo que age em sua história. Estou cada vez mais convencido do que nosso confrade Tarcísio Stramare[3] sempre afirmou, e que pode ser assim expresso: José não é um desentendido do Evento da Salvação, e eu acrescento: muito menos um covarde que foge da crise, um pusilânime que vai para onde o vento sopra… Ele é consciente da ação divina e com ela colabora.
[2] O segundo ponto que desejo apenas introduzir é a necessária compreensão de nosso Carisma, buscado justamente em José e em sua identidade. Neste dia de nosso Grande Patriarca, como afirmação nosso Pai Fundador São José Marello, poderíamos olhar com mais atenção para nosso Carisma e para suas consequências teológica e práticas.
Não podemos dizer, em absoluto, que não conhecemos nosso Carisma. Depois de tantos esforços empreendidos pelos últimos Provinciais e Conselhos[4] é certo que todos nós pudemos analisar e debater nosso Carisma, compreendendo que Carisma não é o que fazemos, mas o que somos. O que fazemos é resultado do Carisma viabilizado, articulado.
Nosso Carisma, como Mário Guinzoni nos indica e Severino Dalmaso confirma, é o “escondimento”[5] como o de José, nos “cuidados com os interesses de Jesus”. É neste ponto que podemos nos esforçar com mais originalidade. Vejamos uma comparação: No dia-a-dia falamos do genérico, aplicado a produtos de consumo, com alguma aprovação e, em muitos momentos, com zombaria e ironia. Corremos o risco de viver, como consagrados Oblatos de São José, com a característica do genérico no Carisma. E no entanto ele é mais do muitos outros: absolutamente original — em dois sentidos: [1] original como não imitador de outros existentes; e [2] original pois vindo da mais fundamental fonte: a Encarnação, entrada de Deus no tempo da história.
Nossa vida religiosa, além de estar alicerçada em Cristo Jesus e na sua mediação, deve buscar esta originalidade em José, pois nele a podemos encontrar. O “escondimento” à sombra do Mistério de Deus, na oração, no estudo, no trabalho, na compreensão dos movimentos da vida, da sociedade e dos que estão próximos, é nosso caminho de viabilização do Carisma. E a procura dos “interesses de Jesus”, que seguramente está interessado na salvação dos jovens, das famílias, na educação, nos mais simples e fragilizados, é sua melhor expressão.
[3] Antes de fazer, José entendeu. Ele “fez” somente depois de ter “entendido” e para tanto permitiu-se um ato de fé, “acreditou”. É assim a ordem da ação da Graça, expressa em verbos: crer, entender, fazer. Antes de fazer, entender e, antes de entender, crer.
E aqui anoto o terceiro ponto. Fazer implica em riscos, perdas e até renúncias. Estando eu próximo de alguns confrades jovens e candidatos à vida religiosa e presbiteral em nossa família percebo na maioria a generosidade em renunciar, em transformar, readequar desejos e ações em função da descoberta do Carisma. É necessário fazer notar que o conceito de Carisma, em muitos deles, ainda é funcional, e não fundamental. Mas a maioria está já compreendendo.
E é observando estes jovens que eu me pergunto: não devemos nós, mais vividos na consagração e no Ministério, retomar a antiga generosidade em fazer, viver a originalidade do entendimento e da fé como vivemos um dia, nos tempos de formação inicial e nos primeiros anos de perpétuos? Para nós as normas eram tão questionáveis, as burocracias tão dispensáveis, os esquemas impostos tão frágeis… O tempo vai passando e vamos nos munindo de exigências burocráticas, impostas aos nossos paroquianos que, aos poucos, vão desanimando pelos impedimentos que se criam para o acesso à graça ou aos seus sinais no nosso quotidiano pastoral. Ou são os múltiplos esquemas que vamos criando ao nosso lado, propostos aos nossos alunos, aos formandos, aos funcionários, para justificar nossos caprichos pessoais e manias, tantas vezes diretamente proporcionais ao número de nossos anos que acumulamos… Pergunto-me se José, no ato de crer e entender o Mistério acontecendo em Maria, tivesse consultado os sábios da Fé Judaica de seu tempo, tivesse pedido permissão para inovar em relação aos costumes estabelecidos pela ordem judaica — será que ele teria conseguido acolher sua Esposa em casa? Se José se apoiasse em normas burocráticas, em seguranças protocolares do judaísmo farisaico, teria a Encarnação acontecido? É uma questão de contorno acadêmico, eu sei, mas me inspira alguma consideração a respeito.
Nossa ação de Oblatos de São José deve estar, na minha humilde visão, em sintonia com aquela de José. O fato de nosso Carisma nos colocar em Cristo Jesus, escondidos nele, e cuidando de seus interesses, nos leva a acolher, aceitar, ir além de nossa zona de conforto, de nossos esquemas mentais e práticos. É saindo de nós, na melhor demonstração de crer e entender, que viveremos a práxis de nosso Carisma de escondidos em Cristo, buscando seus interesses.
[4] A Solenidade de São nos permite retomar os antigos afetos, aqueles sentimentos e inspirações que nos levaram a belíssimos atos de generosidade, que acabaram por empenhar toda nossa vida. Na prática de refazer o Ato de Consagração e Súplica a São José, tenhamos o desejo de imergir na Presença de Jesus, “com-fundindo” nossa inteligência, vontade, afeto com Ele, para compreender seus interesses e, como José, agir.
Pe. Mauro Negro, OSJ
São Paulo, 18 de Março de 2014

[1] Aquela que diz assim “Olha o que foi meu bom José…”. Ela supõe um José que nada entende, que é vítima de uma escolha não livre, impensada e sem fé!
[2] Evidenciando não tanto sua fluidez, mas sua indefinição e falta de forma. Cf. os títulos de Z. Baumann: Modernidade líquidaAmor líquido, etc.
[3] E todos sabemos de sua importância neste ponto. Cabe aqui uma nova leitura da Exortação Apostólica Redemptoris Custus, que iremos rever neste ano no 5º Congresso Teológico e Pastoral de São José.
[4] Recordemos aqui as duas edições do Projeto Revitalizar a vida Consagrada, bem como a programação formativa proposta pelo Padre Geral em sua última visita canônica à Província.
[5] Admito que o conceito “escondimento” ainda não está bem determinado, pois muitas vezes confunde-se com omissão voluntária, um eximir-se de responsabilidades… Ora, é justamente o contrário disto, sem o elemento da evidencia ou exibição. O tema vale e exige ainda uma melhor pontuação.

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