SÃO JOSÉ E O AMOR DA VIDA ESCONDIADA

O quanto fala alto o silêncio da vida de São José, escondida aos olhos dos homens, mas resplandecente diante de Deus


Pouco diz a Sagrada Escritura sobre a vida do pai nutrício de Jesus, São José, cuja solenidade é celebrada hoje pela Igreja universal. Ela limita-se a citar a sua genealogia [1], o fato de que era "justo" [2], o sonho no qual recebeu a visita de um anjo [3], a sua profissão [4] e a paternidade que ele verdadeiramente exerceu junto de Jesus [5]. Nada mais. E, se isso pode levar algumas pessoas a desprezar o valor e a virtude desse grande santo, é porque não consideraram o quanto fala alto o silêncio de uma vida oculta aos olhos dos homens, mas resplandecente diante de Deus.
É importante considerar, em primeiro lugar, a grandeza dos bens que Deus colocou nas mãos de São José, para apreciar com justeza o valor de seu escondimento. A providência quis que esse homem fosse depositário fiel da virgindade perpétua de Maria Santíssima, sua esposa; do menino Jesus, o próprio Deus feito homem; e – não fossem os dois o bastante – do segredo da encarnação do Verbo. Uma vida toda passada ao lado de Jesus e Maria e tão poucas palavras ditas a seu respeito, nenhuma palavra saída de sua boca... Como isso é possível?
O beato João Paulo II tem uma frase que se adequa de modo preciso ao silêncio de José: "O bem não faz ruído, a força do amor expressa-se na discrição tranquila do serviço quotidiano" [6]. Na mesma lógica, o grande orador francês, padre Jacques Bossuet, diz "que se pode ser grande sem esplendor, bem-aventurado sem ruído; que se pode ter a verdadeira glória sem o socorro da fama, com o único testemunho de sua consciência" [7]. De fato, escreve o Apóstolo: “Gloria nostra haec est, testimonium conscientiae nostrae – A razão da nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência..." [8].
A virtude que teve São José, desprezando as glórias humanas e escolhendo como única testemunha a palavra de Deus talhada em sua consciência, deve animar-nos a fazer o mesmo: ter em pouco caso o parecer das pessoas, para receber unicamente de Deus, "que vê o escondido" [9], a recompensa. " Que os homens jamais falem de nós, contanto que Jesus Cristo fale um dia" [10].
Olhando ainda para o silêncio de São José, alguém poderia perguntar se não seria errado manter obscuro um tesouro tão precioso como Jesus, sem nada dizer sobre ele. Bossuet faz notar, com razão, uma aparente oposição entre a missão confiada aos Apóstolos e a missão confiada a José: Jesus "é revelado aos apóstolos para ser anunciado em todo o universo; é revelado a José para calar e ocultá-lo" [11]. Novamente, como isso é possível? O mesmo padre Bossuet explica essa diferença:
"Será Deus contrário a si próprio nessas vocações opostas? Não, fiéis; não credes: toda essa disparidade tem por fim ensinar aos filhos de Deus esta verdade importante, que toda a perfeição cristã está na obediência. Aquele que glorifica os apóstolos pela honra da pregação, glorifica também São José pela humildade do silêncio. Aprendemos por aí que a glória dos cristãos brilhantes não está nos empregos, e sim em fazer a vontade de Deus. Se todos não podem ter a honra de pregar Jesus Cristo, todos podem ter a honra de obedecer-lhe, e esta é a glória de São José e a grande honra do cristianismo." [12]
"Se todos não podem ter a honra de pregar Jesus Cristo, todos podem ter a honra de obedecer-lhe". Se nem todos podem ter a honra de atravessar terras e mares para anunciar o Evangelho aos quatro cantos do mundo, se nem todos receberão de Deus a coroa do martírio, todas as pessoas, sem exceção, podem obedecer a Deus e amá-Lo sobre todas as coisas: "ainda que, na Igreja, nem todos sigam pelo mesmo caminho, todos são, contudo, chamados à santidade" [13].
A santidade no escondimento é possível: eis a grande lição de São José. Como ensinou Paulo VI, ele "é a prova de que para ser bons e autênticos seguidores de Cristo não se necessitam 'grandes coisas', mas requerem-se somente virtudes comuns, humanas, simples e autênticas". [14]

Glorioso São José, rogai por nós!
 
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COOPERADOR NOS MISTÉRIOS DA REDENÇÃO


Só podemos compreender toda a personalidade de José em conexão com a Encarnação de Jesus. E nesta perspectiva que uma teologia Josefina madura pode explicar a sua missão em relação a Jesus. Deus quis que o seu Filho, ao fazer-se homem no meio dos homens, necessitasse dos préstimos de algumas pessoas na colaboração do seu plano salvífico. Jesus precisava de uma mãe para encarnar-se no seio e nutrir-se dela: precisou de uma família para situar-se, crescer e educar-se; precisou de um pai, para que ao longo dos anos atendesse as suas necessidades materiais e espirituais. Portanto, a vocação de José como esposo de Maria e pai virginal de Jesus valeu-lhe o mérito de agir na cooperação e realização do mistério da encarnação. Sua participação na redenção não foi marginal, mas fundamental para que Jesus nascesse numa família da qual ele era o chefe. O decreto da Encarnação predestinado por Deus desde sempre para realizar-se no tempo abrange em si também todas as circunstancias nas quais devia se realizar; ou seja, o fato em si, os modos e o tempo. Neste sentido, Jesus devia nascer de uma mulher ao mesmo tempo casada e virgem, devia ter na terra uma mãe e um pai, devia ser acolhido por uma família plenamente constituída. Maria devia formá-lo no ventre, José devia transmitir-lhe uma genealogia; dar-lhe um nome e protegê-lo na terra.   
É indispensável admitir que a união pessoal do verbo de Deus com a natureza humana é algo que pertence exclusivamente a Cristo; contudo, José e Maria tiveram para com Encarnação uma estreita ligação, um liame de vocação e de missão, eles contribuíram para realizar a união hipostática. José foi o homem que recebeu a honra enorme de cuidar do filho de Deus. Na opinião de muitos teólogos, ele “interveio na constituição da ordem hipostática com o seu consentimento livre e voluntário como o de Maria, esta atuação na ordem moral não tem por objetivo direto e imediato a encarnação do Filho de Deus, mas a maternidade e a virgindade de Maria, por meio das quais se tem a realização da ordem hipostática”.
As razões que sustentam a participação de José na cooperação do mistério da Encarnação são deduzidas do consentimento que ele deu para ser o pai de Jesus, embora sem intervir fisicamente na sua geração. Por isso, tanto José como Maria eram necessários para a realização da encarnação. Com o seu casamento celebrado com Maria da Anunciação, José também proporcionou as condições objetivas, mesmo sem o seu total conhecimento para a realização do mistério da Encarnação. O relacionamento de José com Jesus estabeleceu-se no plano moral e externo; contudo, a sua paternidade é real; ela foi preestabelecida por Deus, e para a sua realização foram necessárias, assim como para Maria, as disposições de santidade.
 
    São José, Imagem Terrestre da Bondade de Deus.
Pe. José Antonio Bertolin O.S.J.

MARIA E JOSÉ NA VIDA DE JESUS


Maria e José tiveram um papel importante na vida de Jesus Cristo, especialmente na sua formação humana e espiritual.

A Santíssima Virgem Maria e São José tiveram um papel importante na vida de Jesus Cristo, em todas as dimensões, principalmente na sua formação humana e espiritual. Entretanto, Maria e José ainda nem eram casados quando receberam a notícia sobre o nascimento do Verbo Encarnado (cf. Lc 1, 27), o Filho de Deus, a quem dariam o nome de Jesus. Isso significa que ele ainda preparava uma casa para morarem juntos. Nossa Senhora e José não estavam preparados para receber Jesus Cristo. Além disso, Maria e José eram judeus, e estes eram oprimidos pelas nações que guerreavam pelo domínio da Palestina. Jesus Cristo, o Filho de Deus, Senhor e Rei do universo, veio ao mundo numa família despreparada, em meio a um povo perseguido. Ele veio ao mundo para servir o gênero humano, fazendo-se escravo: “Ele, existindo em forma divina, não se apegou ao ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano. E encontrado em aspecto humano, humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte – e morte de cruz!” (Fl 2, 6-8). Assumindo nossa humanidade, humilhou-se e foi obediente até a morte mais vergonhosa da época, que era morrer crucificado. Jesus assumiu inclusive a situação de pobreza na qual se encontrava Israel, o Povo de Deus. Além disso, o Filho de Deus deixou-se formar naquela humilde família, por Maria e José.
Para realizar a salvação do gênero humano, Jesus veio ao mundo numa família humilde e pobre de Nazaré. Solidário com o sofrimento humano, pela providência divina, Jesus nasceu na pequena cidade de Belém, em um estábulo (cf. Lc 2, 7). Sua infância e sua juventude, o Menino Deus passou ajudando seu pai José, que lhe ensinou seu ofício na carpintaria. Também nesse tempo, a Virgem Maria, sua Mãe, formou Jesus na cultura e na religião judaica. No pacato vilarejo de Nazaré, Jesus foi formado para servir na obediência a seus pais (cf. Lc 2, 51), que na verdade era obediência à própria vontade de Deus.
São José, pai adotivo de Jesus, formou-O no trabalho, no seu ser servo. Com José, o Menino Deus adquiriu a têmpera necessária para suportar a dureza com que Ele foi tratado pelos seus compatriotas, os judeus, e também pelos romanos (cf. Jo 19, 1-16). Jesus também foi formado por José no seu silêncio fecundo, na sua firmeza de caráter, na sua obediência ao Senhor. Por isso, Ele manteve-se impassível, firme como pedra, servo obediente até a morte (cf. Fl 2, 8), no silêncio que consente com a vontade do Pai. Por José podemos nos deixar formar, para que sejamos fiéis servos, a exemplo de Jesus Cristo. Como José, Nossa Senhora também colaborou muito para formar Jesus, talvez mais ainda que seu esposo.
A Virgem Maria, modelo de mulher orante, mas também de mulher de fé, formou Jesus na oração e na fé no Deus único e verdadeiro. O Senhor foi formado por sua Mãe para ser um homem de oração, que sempre se coloca sozinho diante de Deus para orar. Por isso, nós também temos muito que aprender da Mãe de Jesus. Da fé equilibrada com a razão na Virgem Maria, beneficiou-se Jesus e nós também podemos nos beneficiar. Com Maria aprendemos a confiar no Senhor, a entregar-nos à Sua vontade, ainda que esta seja oposta à nossa (cf. Lc 1, 38).
Assim, como Jesus Cristo, deixemo-nos formar por São José e pela Virgem Maria, para que, como Ele, sejamos fiéis à vontade do Pai até o fim. Nos deixemos formar no silêncio e na escuta da Palavra de Deus, para que como José e Maria, sejamos fiéis na missão que nos for confiada. Com José e Maria, aprendamos a oração, a obediência, a entrega total ao projeto de salvação do Pai, que se realiza pelo Filho, no Espírito Santo. Deixemo-nos formar pela Virgem Maria e por São José, como fez Jesus Cristo, para que como Ele sejamos fiéis à vontade do Pai (cf. Lc 22, 42). Nossa Senhora do Bom Sucesso, rogai por nós! São José, valei-nos!
 
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JOSÉ: O SERVO BOM E FIEL,A QUEM O SENHOR CONFIOU A SUA FAMILIA.


Sobre a vida de São José pouco se sabe. Até mesmo nos escritos dos padres, o santo permaneceu durante séculos e séculos em seu característico escondimento. Necessitou de tempo para que o seu culto fosse convertido do olhar, pois ele era apenas lembrado em figuras, para os átrios do coração. Embora a ausência de dados concretos, acredita-se que José nasceu em Belém, o pai se chamava Jacó e ele foi o terceiro de seis irmãos.
Com razão, São José é chamado por servo bom e fiel, afinal, Deus o elegeu guarda dos seus tesouros mais preciosos. De fato, teve como sua esposa a Imaculada Virgem Maria, que concebeu Jesus Cristo pelo poder do Espírito Santo. Disto procede toda a sua grandeza, graça, santidade e glória.
              Foi ele que guardou com sumo amor e contínua vigilância a sua esposa e o Filho divino; que proveu o sustento da divina família com o trabalho; que os afastou do perigo a que os arriscava o ódio de um rei, levando-os a salvo para fora da pátria.  Foi de Jesus e Maria, nos desconfortos das viagens e nas dificuldades do exílio, companheiro inseparável, socorro e conforto.
               É cabível lembrar que a Igreja venera a Virgem Maria e também a São José, pois foi quem sustentou Aquele que os fiéis deveriam comer como Pão da vida eterna. E quanto a esse sustento confiado por Deus a São José, pode-se dizer que aconteceu de forma simples, pela carpintaria. Jesus aprendeu o ofício de seu pai, tornou-se carpinteiro e, dessa forma, santificou o trabalho. Portanto, como nos diz o Papa Paulo VI: “São José é o modelo dos humildes; [...] é a prova de que para sermos bons e autênticos seguidores de Cristo não se necessitam grandes coisas, mas apenas virtudes comuns, humanas, simples e autênticas”. É tanto que Jesus quis ser chamado “o Filho do carpinteiro”. A humildade e a pobre condição de José eram virtudes que deveriam cintilar no esposo de Maria e no pai putativo de Jesus.
               Este Santo Patriarca é portador de uma dignidade tão elevada que sua fé é comparada à de Maria, a quem a Igreja trata como altíssima, não havendo outra maior. No momento da Anunciação, Maria após ouvir do anjo que a Deus nada é impossível, libera de seus lábios o profundo e decidido Fiat (faça-se), que iria fazê-la chorar aos pés da cruz. José por sua vez, não duvidando da dignidade de Maria e tomado pela sua humildade que o faz considerar-se indigno de participar da família de Deus, é surpreendido em sonho pelo anjo do Senhor que o revela o seu importante papel nos planos divinos como guardião da Sagrada Família. Não pronuncia nada. Este silêncio é característica tão forte em São José que os que procuram viver a vida contemplativa se espelham nele, como é o exemplo de Santa Teresa de Ávila. Porém, é um silêncio ágil, pois, a Bíblia nos diz em Mt 1, 24 que José “fez” o que fora ordenado pelo anjo. Através do silêncio, José contemplava a singeleza da vida no seu humilde ofício; a pureza de Deus em Maria, sua amadíssima esposa; e mais adiante, a majestade de Deus no menino Jesus.
            Se Isabel disse da Mãe do Redentor: “Feliz daquela que acreditou”, esta bem-aventurança pode, em certo sentido, ser referida também a José, porque, de modo comparável, ele respondeu afirmativamente à Palavra de Deus, quando esta lhe foi transmitida naquele momento decisivo. Esse ato o fez unir ainda mais à fé de Maria. E para dizer sim a Deus é necessário obediência, e, isto é de grande característica em José, pois: “pela fé, o homem entrega-se total e livremente a Deus, prestando-lhe ‘o serviço pleno da inteligência e da vontade’ e dando voluntário assentimento à sua revelação” (Const. Dogm. Dei Verbum, n.5.)
              Também é válido afirmar que essa dignidade equiparada entre Maria e José se dá através da encarnação de Jesus no seio da Sagrada Família, pois, o Verbo Divino irradia amor, e em questão lógica, é óbvio afirmar que serão beneficiados por esse amor em primeiríssimo lugar, aqueles de maior intimidade: Sua Mãe e o Seu pai putativo.
               Dessa forma, José vivenciou o Amor da Verdade e o Amor Necessário, ou seja, contemplou o puro amor que irradiava de Cristo e disponibilizou-se para uma vida de serviço em torno da proteção e desenvolvimento da humanidade.
               Esta unidade de José com Maria na caminhada de fé fez o Papa João XXIII, devoto de São José, fixar no Cânone romano da Missa o nome dele, ao lado do nome de Maria e antes do nome dos Apóstolos, dos Sumos Pontífices e dos Mártires.
              Não podemos duvidar da dignidade de São José, pois Deus não iria incumbir uma missão tão sublime e divina a alguém desprovido das virtudes requeridas para exercer corretamente a guarda da virgindade de Maria e, em maior caso, a paternidade de Jesus.
              Também é certo dizer que a José foi concedida esta graça da paternidade de Jesus para que se cumprisse a profecia de que o Salvador viria da descendência de Davi. E sendo Jesus de divina condição, a única forma para que Ele se tornasse humano e ainda da descendência de Davi, era através do matrimônio entre Maria e José. Esse “humanizar” de Cristo fica bem claro quando José, assumindo o seu dever de pai, insere o nome de “Jesus, filho de José de Nazaré” no registro do império, manifestando a sujeição de Jesus às leis e instituições civis, mas sendo também, “Redentor dos homens”. Dessa forma, São José, assim como a Virgem Maria, tem papel importante no mistério da Redenção.
                Por São José nós vamos diretamente à Maria, e por Maria à fonte de toda santidade, Jesus Cristo, que consagrou as virtudes domésticas com a sua obediência aos seus pais.
              Pela ocorrência de que Deus agradou-se em confiar em São José, a Igreja confia cegamente nele, sendo ele a esperança mais segura do Apostolado após a Santíssima Mãe de Deus, pois, é justo e digno do Patriarca que assim como ele guardou no seu tempo a família de Nazaré, também agora guarde e defenda com seu patrocínio a Igreja de Deus.
              Pela grande fidelidade de José aos planos celestes, Deus o recompensou de forma apreciável: em seu leito de morte gozou da sublime companhia de Jesus e Maria, fato este que o fez popularmente conhecido e invocado como o Santo da Boa Morte.
              Portanto, invoquemos a proteção de São José sobre as nossas vidas, sobre a Igreja, sobre as famílias, para que vivendo obedientes a Deus a exemplo de São José, consigamos alcançar a vida eterna.
 
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FESTA DA VISITAÇÃO DE MARIA A SUA PRIMA ISABEL


Hoje celebramos a Festa da Visitação de Maria a sua prima Isabel. Maria enfrenta o caminho de sua vida com grande realismo, humanidade e concretude.
Três palavras sintetizam o comportamento de Maria: Escuta. Maria sabe ouvir Deus. Atenção não é um simples ouvir superficial mas é ouvir cheio de atenção, com acolhida, disponibilidade para com Deus. Maria está atenta a Deus, escuta a Deus, mas Maria escuta também os fatos, lê os acontecimentos de sua vida. Está atenta a realidade concreta e não fica na superfície, mas vai ao profundo para acolher o significado. Decisão. Maria não vive da pressa, da ânsia, mas como destaca São Lucas “meditava todas essas coisas no seu coração” (Lc2,19). Também no momento decisivo da anunciação do Anjo (cf. Lc1,26ss) ela também pergunta “como acontecerá isso?”, mas não se detém nem mesmo no momento da reflexão, dá um passo a mais: decide.Ela não vive da pressa, mas apenas quando é necessário vai rapidamente. Maria não se deixa arrastar pelos acontecimentos. Não evita o esforço de decidir. Isso acontece seja na escolha fundamental que mudará sua vida – “Eis aqui a escrava do Senhor”-, seja nas escolhas mais cotidianas, mas também ricas de significado. O episódio das núpcias de Caná (cf Jo2,1-11). Aqui também se pode ver o realismo, a humanidade e concretude de Maria, que faz atenção aos fatos e aos problemas. Ela vê e compreende a dificuldade daqueles dois jovens esposos, em cuja festa faltou vinho. Ação. “Maria pôs-se em viagem e foi depressa”. Apesar das dificuldades, das críticas que teria recebido pela decisão de partir, não se detém diante de nada, ela parte depressa. É a oração diante de Deus, que fala. A ação de Maria é uma conseqüência de sua obediência às palavras do Anjo, mas unidade à caridade. Ela vai até Isabel para ser-lhe útil. Esta sua saída de casa, de si mesma, por amor, carrega o que tem de mais precioso: Jesus. Ela carrega seu Filho.
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30 de Maio

Festa de nosso Santo Fundador José Marello!!!

“Jovem bom e inteligente, apaixonado pela cultura e o compromisso civil, nosso santo encontrou apenas em Cristo a síntese de todo ideal e a ele se consagrou no sacerdócio. “Cuidar dos interesses de Jesus” foi o lema da sua vida. E por isso inspirou-se totalmente em São José, o marido de Maria, o ‘Guarda do redentor’. De São José o atraiu fortemente o serviço oculto, alimentado por uma profunda vida interior. Soube dar este estilo aos Oblatos de São José, a congregação religiosa por ele fundada. Costumava repetir-lhe: ‘sede extraordinários nas coisas ordinárias’  e acrescentava: “sede cartuchos em casa e apóstolos fora dela”
(Da homilia de São João Paulo II) 

FESTA DE CORPUS CHISTI


A festa de Corpus Christi tem por objetivo celebrar solenemente o mistério da Eucaristia – o Sacramento do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo. Acontece sempre em uma quinta-feira, em alusão à Quinta-feira Santa, quando se deu a instituição deste sacramento.

 Durante a última ceia de Jesus com seus apóstolos, Ele mandou que celebrassem Sua lembrança comendo o pão e bebendo o vinho que se transformariam em seu Corpo e Sangue.
"O que come a minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna e, eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é verdadeiramente comida e o meu sangue é verdadeiramente bebida. O que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. O que come deste pão viverá eternamente" (Jo 6, 55 – 59).
Através da Eucaristia, Jesus nos mostra que está presente ao nosso lado, e se faz alimento para nos dar força para continuar. Jesus nos comunica seu amor e se entrega por nós.
Origem da Celebração
A celebração teve origem em 1243, em Liège, na Bélgica, no século XIII, quando a freira Juliana de Cornion teria tido visões de Cristo demonstrando-lhe desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque.
Em 1264, o Papa Urbano IV através da Bula Papal "Trasnsiturus de hoc mundo", estendeu a festa para toda a Igreja, pedindo a São Tomás de Aquino que preparasse as leituras e textos litúrgicos que, até hoje, são usados durante a celebração. Compôs o hino “Lauda Sion Salvatorem” (Louva, ó Sião, o Salvador), ainda hoje usado e cantado nas liturgias do dia pelos mais de 400 mil sacerdotes nos cinco continentes.
A procissão com a Hóstia consagrada conduzida em um ostensório é datada de 1274. Foi na época barroca, contudo, que ela se tornou um grande cortejo de ação de graças.
No Brasil
No Brasil, a festa passou a integrar o calendário religioso de Brasília, em 1961, quando uma pequena procissão saiu da Igreja de madeira de Santo Antônio e seguiu até a Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima. A tradição de enfeitar as ruas surgiu em Ouro Preto, cidade histórica do interior de Minas Gerais.
A celebração de Corpus Christi consta de uma missa, procissão e adoração ao Santíssimo Sacramento.
A procissão lembra a caminhada do povo de Deus, que é peregrino, em busca da Terra Prometida. No Antigo Testamento esse povo foi alimentado com maná, no deserto. Hoje, ele é alimentado com o próprio Corpo de Cristo. Durante a Missa o celebrante consagra duas hóstias: uma é consumida e a outra, apresentada aos fiéis para adoração. Essa hóstia permanece no meio da comunidade, como sinal da presença de Cristo vivo no coração de sua Igreja.

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Papa: Santidade é caminho que só se percorre ao lado de Deus


 
Missa na Capela Santa Marta
 
“Caminhar na presença de Deus de modo irrepreensível”. Isto, segundo o Papa, quer dizer caminhar rumo à santidade. É um compromisso que necessita, no entanto, de um coração que saiba esperar com coragem, se coloque em discussão e se abra com simplicidade à graça de Deus.
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Papa no Angelus diz: Deus é família aberta, não devemos nos fechar. 23/05/2016


 
A dimensão trinitária nos “ensina que Deus é uma ‘família’ de três pessoas que se amam tanto de modo a formar uma só coisa. Esta ‘família divina’ não é fechada em si mesma, mas é aberta, comunica-se na criação e na história e entrou no mundo dos homens para chamar todos a fazerem parte”.
Foi o que disse o Papa Francisco neste domingo, antes do Angelus, aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro. Na sua reflexão, o Santo Padre falou do mistério trinitário, mistério da fé cristã, na Solenidade da Santíssima Trindade.
Imagem e semelhança de Deus
Um “horizonte” de comunhão – continuou o Papa – “que envolve todos e nos estimula a viver no amor e na partilha fraterna, certos de que onde há amor, há Deus”:
“O nosso ser, criados à imagem e semelhança de Deus-comunhão nos chama a compreender nós mesmos como seres-em-relação e a viver as relações interpessoais na solidariedade e no amor recíproco. Tais relações são reproduzidas, em primeiro lugar, no âmbito de nossas comunidades eclesiais, para que seja sempre mais clara a imagem da Igreja ícone da Trindade”.
Fonte: Radio do Vaticano  
 

JOSE, ESPOSO E PAI

           José, esposo de Maria epai de Jesus. Aqui estão verdades de Fé que devemos alimentar de modo mais intenso e decisivo. O Esposo de Maria não é um simulador de matrimônio, mas um autêntico companheiro de vida e esperança da Mãe do Senhor. Embora aparentemente limitado, o matrimônio de José e Maria foi verdadeiro, como muitos pensadores cristãos já refletiram.
            E José é o verdadeiro pai de Jesus, o que não devemos deixar de afirmar. No entanto, é muito comum que isto não seja apresentado de modo claro quando, por exemplo, se afirma que ele é o “pai nutrício”, o “pai adotivo”, o “pai legal” de Jesus. Por que estas limitações para a paternidade de José sobre Jesus? Talvez porque não se entenda ainda que pai, como também mãe, é quem assume a tarefa da paternidade, independente da geração física.
             Em Mateus 1,18–25, na anunciação de Jesus a José, a missão daquele homem, da família de Judá, é a de legitimar a identidade de Jesus frente a sociedade de Israel. Em João 1,42 lemos que os contemporâneos de Jesus perguntavam sobre Ele: “Esse não é Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos?” A referência humana de Jesus na sociedade de seu tempo era, em grande medida, José, seu pai.
            Em tempos de valorização da família, à luz da exortação apostólica “AmorisLaetitiae”, do Papa Francisco, a identificação de José como pai de Jesus, ao lado de sua Mãe, Maria, é algo a ser considerado com mais intensidade. João Paulo II, na exortação apostólica “Redemptoris Custos”, de 1989, sobre a pessoa e missão de José na Salvação, o chamava várias vezes de “homem justo”, e destacava de modo muito intenso o “serviço da paternidade”. José, o homem Justo, que abre o Evangelho segundo Mateus, é o depositário do Mistério de Deus na História. É assim que podemos identifica-lo e reverencia-lo.
            A missão de José e sua figura podem ser mais valorizadas em nossa realidade de Fé. A compreensão que temos de sua figura deve ser seguida de uma ação intensa de compromisso com a vida, com a liberdade, com a coerência entre crer e agir. Neste ponto e em muitos outros a inspiração de José, Esposo e Pai, pode nos levar a ter ânimo e decisão perante os desafios que nos são apresentados todos os dias, dos modos mais diversos e múltiplos.
            Uma prece, inspirada na figura e missão de José, pode nos ser oportuna.
Tu, José,
que depois da Bendita Virgem Maria,
foste o primeiro a apertar ao peito
Jesus Redentor:
 Sê o nosso modelo de vida
que, como a tua
é de relação íntima com o Verbo Divino.
Amém!
            Esta “relação íntima com o Verbo Divino” é o Batismo que nos configura a Cristo e nos une à sua Graça. Como José, estamos dentro do Mistério de Deus.

Pe. Mauro Negro, OSJ
Professor de Teologia Bíblica PUC São Paulo

A REALIDADE UNITÁRIA ENTRE MARIA E JOSÉ


Compreender isso não é fácil para nós; estamos sobre dois planos diferentes; se Deus quis ser homem, Maria e José são as criaturas de um tempo mais alto e mais humilde.
 (Bevenuto Micardi )



Não se pode considerar em separado as figuras de Maria e de José. É muitíssimo comum apresentar Maria, Mãe de Deus, praticamente sozinha, como se Ela pudesse ter assumido a Maternidade divina sem o apoio de José ou de um outro homem.
Em primeiro lugar o nome de uma criança era dado pelo pai. Assim uma mãe solteira não poderia dar o nome ao filho se o pai não o assumisse. A criança nascida de uma situação como esta estava destinada a um como que ostracismo religioso e social, pois não tinha uma filiação, um nome, uma família, pois esta era dada pelo pai. Em alguns casos o avô materno da criança, usado de amor paterno com certeza assumia a paternidade legal do neto ou neta.
Por outro lado não encontramos qualquer menção dos pais de Maria, sequer em Lucas. Em Mateus José é identificado como filho de Jacó, na genealogia de 1,16 e filho de Davi na anunciação de 1,20; em Lucas José é identificado como filho de Levi na genealogia de 3,23. Sabe-se que estas genealogias expressam mais uma visão teológica do autor do Evangelho e não expressam a sucessão das gerações com a fidelidade que seria do gosto moderno. Por isso encontramos em Lucas um José filho de Levi e em Mateus o mesmo José filho de Jacó. Todavia mais importante que tudo isto é o texto de Mateus 1,20 onde é chamado de filho de Davi, isto é, descendente real, da família davídica, herdeiro das promessas do Messias Salvador. De Maria não se fala de família ou ascendência ou dependências familiares. Ela é importante pela sua própria natureza humana e pela Graça única e irrepetível da maternidade divina.
José, por outro lado, entra dentro do Mistério da Encarnação pela dimensão religiosa e social. Pode-se dizer que Maria enraíza Jesus na história humana e antes mesmo, na realidade humana; José por sua vez enraíza Jesus na história de Israel e na esperança do Povo de Deus. José é o portador da herança religiosa de Jesus o que é muito se, se considera a mensagem Evangélica como mensagem religiosa – naquele sentido profundo que a religião tem para os judeus, envolvendo todo o Homem e suas realidades e situações.
Desta forma não se pode separar as duas figuras mais centrais da Encarnação depois do próprio Jesus, é claro. José e Maria estão no núcleo da Encarnação e mantém uma unidade que pode-se qualificar como indissolúvel e interdependente: Maria depende de José para a paternidade legal de seu Filho divino. Este deve ser identificado com toda Tradição religiosa, patriarcal e davídica de Israel e só poderá ter esta identidade através da paternidade. José por sua vez deve fazer um ato de fé profundo frente ao mistério que presencia e que reconhece como algo que vai além de sua compreensão. Ele somente tem a idéia do que se passa após a revelação interior do sonho (Mt 1,18-25) desta forma Maria e José não podem ser separados e guardam uma  unidade tal que chega a ser assustador como se considera o lugar e a presença de Maria no Mistério da Encarnação sem a presença de José. Seria como se Ela pudesse assumir a Maternidade divina sem a presença e a pessoa de José como pai, vinculo ou elo patriarcal e davídico de Jesus com o Antigo Testamento.        
 A Missão exercida por José no cenário evangélico não foi, portanto somente aquela de uma figura pessoalmente exemplar e ideal. Foi uma missão exercida efetivamente sobre Cristo, do qual ele era tido como pai. As razoes que sustentam a participação de José na cooperação do mistério da Encarnação são deduzidas do consentimento que ele deu para ser o pai de Jesus, embora sem intervir fisicamente na sua geração. Por isso, tanto José como Maria eram necessários para a realização da encarnação. Com o seu casamento celebrado com Maria da Anunciação, José também proporcionou as condições objetivas, mesmo sem o seu total conhecimento, para a realização do mistério da Encarnação. O relacionamento de José com Jesus estabeleceu-se no plano moral e esterno; contudo, a sua paternidade é real – ela foi preestabelecida por Deus e, para a sua realização foram necessárias, assim como para Maria as disposições de santidade.   
 
Revista Estudo de São José

José, o Pai do Filho de Deus - Músicas do CD


Reportagem da TV Evangelizar na Exposição Iconografica Josefina, Mariana e Marelliana na cidade de Apucarana Pr.

 

MARIA QUER FORMAR JESUS EM VOCÊ

 
Você sabe: quem educou Jesus foi Maria. E é lindo o que se lê no Evangelho de São Lucas, quando o menino Jesus, aos 12 anos, foi encontrado no templo de Jerusalém:
Depois ele desceu com eles – Maria e José – para Nazaré; era-lhes submisso; e a sua mãe guardava todos esses acontecimentos em seu coração. Jesus progredia em sabedoria e em estatura, e em graça diante de Deus e dos homens (cf. Lc 2,51-52).
O próprio Evangelho testemunha: Era-lhes submisso. A mulher tem um papel preponderante na educação dos filhos. A mãe é educadora por excelência. Você pode então imaginar a Virgem Maria passando para Jesus, desde Seus primeiros dias, toda sua fé, todo seu amor a Deus, toda sua espiritualidade, fidelidade e entrega ao Todo-poderoso.
O filho de Deus criado por uma mulher humilde
Tudo o que vivia ela passava àquela criança, junto com seu leite materno, dia após dia. É uma beleza poder imaginar Maria formando, educando o menino Jesus. Dentro d’Ele havia uma semente: Ele era Filho de Deus; havia n’Ele uma natureza receptiva. Ele não tinha, como nós, o pecado original. Mas quem o formava era Nossa Senhora.
O Pai quis que Seu Filho Jesus fosse educado por uma mulher. Assim como Cristo foi concebido no ventre de, como foi gerado e trazido à luz, amamentando por Maria, Ele foi também educado por ela. Quer dizer: tudo aquilo que havia no interior de Jesus foi posto para fora, cresceu, desabrochou e desenvolveu-se graças a Maria. Ele recebeu tudo isso dela. Ela foi a formadora e educadora de Jesus.
Que sejamos Jesus nos dias de hoje
O Pai quer que sejamos semelhantes a Jesus. Que sejamos Seus continuadores. É vontade de Deus que você seja um outro Jesus para o mundo, porque o mundo precisa de coisas concretas, o mundo só vai acreditar a partir de cristãos que vivam a vida de Cristo. E para ser como Jesus é preciso ser educado por aquela que O educou. Por causa do pecado, que está em nós, há todo um longo trabalho de educação por fazer, e Maria tem aí seu papel especial de mãe e educadora. Ela quer nos educar nos caminhos de Jesus. Com o amor, a paciência, a bondade, a simplicidade, a humildade de Jesus…
Ela quer formar você também com a têmpera e a fortaleza de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela o quer com o entusiasmo, o otimismo, a garra e com a entrega de Cristo.
Maria quer formar Jesus em você. Esta é a missão dela. A resposta de cada um deve ser: “Faça-se! Faça-se em mim segundo a vontade do Pai”.

Monsenhor Jonas Abib
 
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SÃO JOSÉ, O EDUCADOR

 
A vida de José é narrada nos evangelhos e na tradição dos grandes pensadores cristãos. Carpinteiro, ensinou a Jesus o ofício de talhar a madeira, de tomar cuidado com as ferramentas para não ferir nem a si nem ao outro. Esculpir o formato certo. Fazer com que cada objeto da criação seja útil. Artistas do ofício de fazer peças úteis e belas. Uma cadeira para o descanso. Uma mesa para partilhar. Um armário para guardar o necessário. Um local para servir de aconchego quando se volta ao lar.
No lar de Nazaré, o menino Jesus pode conviver com um homem cioso do seu papel na história. Um contador de histórias, talvez. Jesus adulto gostava de contar histórias e de, por meio delas, desvelar mistérios da alma humana e oferecer ensinamentos para o cotidiano. As parábolas de Jesus nascem de uma mente acostumada a acumular sabedoria. Desde cedo, bebeu em fontes santas e profundamente humanas.
Os textos sagrados não trazem detalhes do dia a dia da pequena família. Maria, a mulher que se acostumou ao silêncio e à profundidade dos dizeres, certamente O embalou em canções de ternura e O ensejou para o protagonismo essencial a todo ser humano. Era ela a mulher escolhida para gerar o Amor e para suportar a dor. No dual dos seus dias, soube inspirar a serenidade. Uma mãe cativante, uma senhora eternamente menina, com títulos tantos para expressar a devoção de povos tantos que, no seu carisma, tentam se animar. 
E José? Sobre o que conversavam? Quais medos tinham? O que os fazia chorar? E sorrir? Saíam para passear? Contemplavam as paisagens daquele local? Como eram as refeições? Diziam o quê, um ao outro, antes de dormir? Amanheciam com quais esperanças?
Na carpintaria, o menino Jesus aprendia na madeira o que haveria de esculpir na humanidade. O Artesão dos homens estava em construção. O ensinamento do Mestre constrói um novo tempo. Era o Amor o Seu tema, e não a vingança. Era de paz que Ele falava e não de acúmulos de ódios ou de posses. Era o abraço ao que estava sem braço por ter sido alijado no caminho. Como José O inspirou a nos inspirar? "O filho pródigo" nos ensina a perdoar e a acolher aquele que se gastou por aí. E nos ensina a estarmos atentos à inveja daquele que se julga sempre correto. O "Bom Pastor" traz o ensinamento de que nenhuma ovelha deve ser deixada de lado. É preciso compreender que cada uma é diferente. E que todas elas merecem atenção especial. Que nenhuma se perca. Precisam elas da voz do pastor. Naquela época, cada pastor que chegava para buscar  suas ovelhas emitia um som que fazia com que apenas as “suas ovelhas” o seguissem, porque elas reconheciam o “seu” pastor. No "Semeador", a necessidade da boa semente. Da semente que cai em terra fértil. E que é capaz de produzir frutos.
Que histórias José contou para o seu filho para que Ele pudesse depois dizer à multidão que O seguia? Sentavam-se eles no chão, talvez, e revezavam-se no dizer e no preencher de vida os dias de preparação. No chão daquelas casas simples em que moravam, a firmeza do caráter ia se moldando. José ensinava o correto nas palavras e nas ações. No respeito à Maria. No acolhimento às dúvidas do menino, de todo menino que necessita da presença do pai. 
Não sei se José ensinou ao filho lições de matemática ou de física ou de geografia. Não sei detalhes daqueles dias naqueles tempos. Sei que os valores fundamentais que educam o caráter de uma pessoa estavam na lida de São José, o educador. Ensinar a ser bom, ensinar a ser honesto, ensinar a respeitar o outro, ensinar a amar. Amar como fundamento da vida em qualquer profissão. Amar como verbo inspirador de outros valores e ações. Amar como razão de existir. Na carta aos Coríntios, Paulo nos ensina que o amor é paciente, é benigno, não é soberbo nem inconveniente, muito menos interesseiro. O amor não se ressente nem se diminui diante do mal. Ao contrário, regozija-se com a verdade e compreende o tempo.
Quando o coração de José falava ao coração de Jesus, as palavras aguardavam. E, assim, na simplicidade de Nazaré, naquela pequena família, os grandes ensinamentos da humanidade estavam sendo esculpidos. Carpinteiros de vidas. Um Novo Testamento. Uma Nova Aliança. Não mais baseada no "olho por olho, dente por dente", mas no abraço que conforta porque compreende que, na trajetória, em algum momento, qualquer um dos viventes pode cair e se machucar. Que nunca falte um "bom samaritano" para agir.
Vez em quando, é bom parar e relembrar a vida de homens que nos iluminam em meio às escuridões que nos frequentam.
 
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GUARDA FIEL E PROVIDENTE


Dos Sermões de São Bernardino de Sena, presbítero. Leitura do Ofício das Leituras da Solenidade de São José

Sermo 2, de S.Ioseph:Opera7,16.27-30, (Séc.XV)

 
É esta a regra geral de todas as graças especiais concedidas a qualquer criatura racional: quando a providência divina escolhe alguém para uma graça particular ou estado superior, também dá à pessoa assim escolhida todos os carismas necessários para o exercício de sua missão.
Isto verificou-se de forma eminente em São José, pai adotivo do Senhor Jesus Cristo e verdadeiro esposo da rainha do mundo e senhora dos anjos. Com efeito, ele foi escolhido pelo Pai eterno para ser o guarda fiel e providente dos seus maiores tesouros: o Filho de Deus e a Virgem Maria. E cumpriu com a máxima fidelidade sua missão. Eis por que o Senhor lhe disse: Servo bom e fiel! Vem participar da alegria do teu Senhor! (Mt 25,21).
Consideremos São José diante de toda a Igreja de Cristo: acaso não é ele o homem especialmente escolhido,por quem e sob cuja proteção se realizou a entrada de Cristo no mundo de modo digno e honesto? Se, portanto, toda a santa Igreja tem uma dívida para com a Virgem Mãe, por ter recebido a Cristo por meio dela, assim também, depois dela, deve a São José uma singular graça e reverência.
Ele encerra o Antigo Testamento; nele a dignidade dos patriarcas e dos profetas obtém o fruto prometido. Mas ele foi o único que realmente possuiu aquilo que a bondade divina lhes tinha prometido.
E não duvidemos que a familiaridade, o respeito e a sublimíssima dignidade que Cristo lhe tributou, enquanto procedeu na terra como um filho para com seu pai, certamente também nada disso lhe negou no céu, mas antes, completou e aperfeiçoou. Por isso, não é sem razão que o Senhor lhe declara: Vem participar da alegria do teu Senhor! Embora a alegria da felicidade eterna penetre no coração do homem, o Senhor preferiu dizer: Vem participar da alegria. Quis assim insinuar misteriosamente que a alegria não está só dentro dele, mas o envolve de todos os lados e o absorve e submerge como um abismo sem fim.
Lembrai-vos de nós, São José, e intercedei com vossas orações junto de vosso Filho adotivo; tornai-nos também propícia vossa Esposa, a santíssima Virgem, mãe daquele que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos sem fim. Amém.
 
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QUANTO MAIS UMA PESSOA SOFRE, MAIS É DIGNA DE AMOR

 Nesse intervalo entre os esponsais e as bodas, Maria recebeu a embaixada do Arcanjo Gabriel. O Evangelho de Mateus deixa-o bem claro ao afirmar: “Antes de coabitarem, aconteceu que Ela concebeu por virtude do Espírito Santo” (Mt 1, 18). Supérfluo seria nos estendermos aqui sobre os detalhes da Anunciação e da Encarnação do Verbo, já tão conhecidos e tantas vezes comentados. Um ponto apenas é preciso deixar bem claro: poucos dias depois desse acontecimento, Maria dirigiu-se apressadamente para o pequeno po­voa­do das montanhas da Judéia onde habitavam seus primos, Zacarias e Isabel. Boa parte dos comentaristas defende a idéia de que José acompanhou sua esposa na viagem de ida e, transcorridos três meses, foi buscá-La. Tal opinião parece bem fundada, pois a juventude de Maria e as dificuldades de um penoso percurso eram razões de sobra para mover a solicitude de um esposo fiel e zeloso, como era o seu.
Depois do regresso a Nazaré, não tardou ele a perceber os primeiros sinais da gravidez de sua desposada. No começo, relutou em acreditar, julgando-se vítima de uma alucinação. Passados, porém, alguns dias, não pôde mais duvidar da realidade patente ante seus olhos: Maria trazia uma criança em seu seio.
Nesse momento eclodiu, como violento turbilhão, o drama na vida de São José. Talvez a provação mais terrível que uma mera criatura humana — fazendo abstração da Santíssima Virgem ao longo da Paixão — jamais tenha enfrentado. Essa era, entretanto, a divina vontade do Menino que Se formava nas puríssimas entranhas de Maria. Desejava Ele que seu nascimento viesse com o selo indelével da dor santamente aceita, para dar-nos a lição de que quanto mais uma pessoa sofre, tanto mais é digna de amor. O pai adotivo que escolhera como imagem de seu Pai Celestial, Ele o submetia a uma dura prova, dando-lhe oportunidade de levar seu heroísmo a alturas inimagináveis. Ao mesmo tempo, aparecia com maior esplendor a virgindade de Nossa Senhora.
 
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A Igreja, Mãe de Vocações

Mensagem do Papa para o 53º Dia Mundial de Oração pelas Vocações (17 de abril de 2016)
Amados irmãos e irmãs!

Como gostaria que todos os batizados pudessem, no decurso do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, experimentar a alegria de pertencer à Igreja! E pudessem redescobrir que a vocação cristã, bem como as vocações particulares, nascem no meio do povo de Deus e são dons da misericórdia divina! A Igreja é a casa da misericórdia e também a «terra» onde a vocação germina, cresce e dá fruto.
Por este motivo, dirijo-me a todos vós, por ocasião deste 53º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, convidando-vos a contemplar a comunidade apostólica e a dar graças pela função da comunidade no caminho vocacional de cada um. Na Bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, recordei as palavras de São Beda, o Venerável, a propósito da vocação de São Mateus: «Miserando atque eligendo» (Misericordiae Vultus, 8). A ação misericordiosa do Senhor perdoa os nossos pecados e abre-nos a uma vida nova que se concretiza na chamada ao discipulado e à missão. Toda a vocação na Igreja tem a sua origem no olhar compassivo de Jesus. A conversão e a vocação são como que duas faces da mesma medalha, interdependentes continuamente em toda a vida do discípulo missionário.
O Beato Paulo VI, na Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi, descreveu os passos do processo da evangelização. Um deles é a adesão à comunidade cristã (cf. n. 23), da qual se recebeu o testemunho da fé e a proclamação explícita da misericórdia do Senhor. Esta incorporação comunitária compreende toda a riqueza da vida eclesial, particularmente os Sacramentos. A Igreja não é só um lugar onde se crê, mas também objeto da nossa fé; por isso, dizemos no Credo: «Creio na Igreja».
A chamada de Deus acontece através da mediação comunitária. Deus chama-nos a fazer parte da Igreja e, depois dum certo amadurecimento nela, dá-nos uma vocação específica. O caminho vocacional é feito juntamente com os irmãos e as irmãs que o Senhor nos dá: é uma con-vocação. O dinamismo eclesial da vocação é um antídoto contra a indiferença e o individualismo. Estabelece aquela comunhão onde a indiferença foi vencida pelo amor, porque exige que saiamos de nós mesmos, colocando a nossa existência ao serviço do desígnio de Deus e assumindo a situação histórica do seu povo santo.
Neste Dia dedicado à oração pelas vocações, desejo exortar todos os fiéis a assumirem as suas responsabilidades no cuidado e discernimento vocacionais. Quando os Apóstolos procuravam alguém para ocupar o lugar de Judas Iscariotes, São Pedro reuniu cento e vinte irmãos (cf. At 1, 15); e, para a escolha dos sete diáconos, foi convocado o grupo dos discípulos (cf. At 6, 2). São Paulo dá a Tito critérios específicos para a escolha dos presbíteros (cf. Tt 1, 5-9). Também hoje, a comunidade cristã não cessa de estar presente na germinação das vocações, na sua formação e na sua perseverança (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 107).
A vocação nasce na Igreja. Desde o despertar duma vocação, é necessário um justo «sentido» de Igreja. Ninguém é chamado exclusivamente para uma determinada região, nem para um grupo ou movimento eclesial, mas para a Igreja e para o mundo. «Um sinal claro da autenticidade dum carisma é a sua eclesialidade, a sua capacidade de se integrar harmonicamente na vida do povo santo de Deus para o bem de todos» (Ibid., 130). Respondendo à chamada de Deus, o jovem vê alargar-se o próprio horizonte eclesial, pode considerar os múltiplos carismas e realizar assim um discernimento mais objetivo. Deste modo, a comunidade torna-se a casa e a família onde nasce a vocação. O candidato contempla, agradecido, esta mediação comunitária como elemento imprescindível para o seu futuro. Aprende a conhecer e a amar os irmãos e irmãs que percorrem caminhos diferentes do seu; e estes vínculos reforçam a comunhão em todos.
A vocação cresce na Igreja. Durante o processo de formação, os candidatos às diversas vocações precisam de conhecer cada vez melhor a comunidade eclesial, superando a visão limitada que todos temos inicialmente. Com tal finalidade, é oportuno fazer alguma experiência apostólica juntamente com outros membros da comunidade, como, por exemplo, comunicar a mensagem cristã ao lado dum bom catequista; experimentar a evangelização nas periferias juntamente com uma comunidade religiosa; descobrir o tesouro da contemplação, partilhando a vida de clausura; conhecer melhor a missão ad gentes em contato com os missionários; e, com os sacerdotes diocesanos, aprofundar a experiência da pastoral na paróquia e na diocese. Para aqueles que já estão em formação, a comunidade eclesial permanece sempre o espaço educativo fundamental, pelo qual se sente gratidão.
A vocação é sustentada pela Igreja. Depois do compromisso definitivo, o caminho vocacional na Igreja não termina, mas continua na disponibilidade para o serviço, na perseverança e na formação permanente. Quem consagrou a própria vida ao Senhor, está pronto a servir a Igreja onde esta tiver necessidade. A missão de Paulo e Barnabé é um exemplo desta disponibilidade eclesial. Enviados em missão pelo Espírito Santo e pela comunidade de Antioquia (cf. At 13, 1-4), regressaram depois à mesma comunidade e narraram aquilo que o Senhor fizera por meio deles (cf. At 14, 27). Os missionários são acompanhados e sustentados pela comunidade cristã, que permanece uma referência vital, como a pátria visível onde encontram segurança aqueles que realizam a peregrinação para a vida eterna.
Dentre os agentes pastorais, revestem-se de particular relevância os sacerdotes. Por meio do seu ministério, torna-se presente a palavra de Jesus que disse: «Eu sou a porta das ovelhas (…). Eu sou o bom pastor» (Jo 10, 7.11). O cuidado pastoral das vocações é uma parte fundamental do seu ministério. Os sacerdotes acompanham tanto aqueles que andam à procura da própria vocação, como os que já ofereceram a vida ao serviço de Deus e da comunidade.
 

São José: O Maior Devoto de Maria


Assista ou ouça palestra do Padre Paulo Ricardo Sobre São José direto do site clique

SUA PRUDÊNCIA


                Quando rezamos a ladainha de São José, afirmamos “José prudentíssimo”. O titulo “prudentíssimo” está profundamente relacionado com a sua atitude face à dúvida que o aconteceu, de que fala o evangelista Mateus. São Bernardo, procurando entender as razões da dúvida de José, se perguntou: “Por que José quis deixar Maria ocultamente?” E ele mesmo respondeu, concluindo que “José quis deixar Maria pelo mesmo motivo pelo qual Pedro quis distanciar-se de Jesus dizendo ‘afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador’. Pelo mesmo motivo pelo qual o centurião não quis que Jesus entrasse em sua casa, dizendo ‘Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa’. Da mesma forma José se achava indigno e pecador e por isso pensava em não mais compartilhar a convivência familiar com sua esposa. Assim como Pedro, o centurião e tantos outros se sentiram indignos diante da onipotência de Deus também ficou José, assim como teria ficado perplexo qualquer outro homem que constatasse o milagre de uma virgem grávida. Por isso, não é de admirar que José tenha se sentido indigno de conviver com uma virgem que se tornara mãe milagrosamente.
             José viu com os próprios olhos a gravidez de sua esposa Maria, sem que tivesse tido relações com ela; mas, dada a sua retidão e a virtude de Maria, ele, de maneira alguma, pensou mal dela. Tanto isto é verdade, que procurou deixá-la ocultamente.  Se tivesse concluído pela culpa da esposa, poderia, como todos os homens do seu tempo, repudiá-la publicamente, mesmo porque a gravidez era prova evidente para todos. A extraordinária virtude que Maria possuía de modo algum podia impelir José a duvidar dela, porque era bom e justo. Era natural que a situação o angustiasse, pois não encontrava explicações para o mistério, quando era evidente o processo de gestação da sua esposa.
            Uma pergunta surge quando deparamos com o comportamento de José: por que ele queria achar uma saída secreta para deixar Maria? Considerando as suas virtudes, ele não imaginava nela culpa alguma e conseqüentemente, não podia difamá-la. Como era costume da época, o marido só podia deixar sua esposa através do libelo de repúdio, que consistia automaticamente no divórcio; mas, para isso, era necessário apresentar publicamente provas apoiadas em motivos válidos. E que motivo podia ele apresentar sem que com isso a difamasse, sendo que era Justo? Sabedor de todas as normas que regiam tais procedimentos, José não podia proclamar publicamente que a considerava inocente e pura, não obstante a sua gravidez, pois quem iria acreditar nele? Seguramente o povo teria rido dele e, em seguida lapidado sua esposa, considerando-a adúltera.  
 
São José, Fiel Vocacionado pag. 32  
Pe. José Antônio Bertolin OSJ.